La Toja

"É necessário um pacto social para enfrentar a inflação", diz ex-governador do Banco de Portugal

"É necessário um pacto social para enfrentar a inflação", diz ex-governador do Banco de Portugal

O antigo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, defendeu esta sexta-feira, durante a sua participação no Fórum La Toja, na Galiza, que é necessário um pacto social para enfrentar a inflação, que em Portugal voltou a aumentar para os 9,3%. A mais alta dos últimos 30 anos, segundo dados do Eurostat.

Costa, que falava como convidado (o único participante português este ano) numa conferência com o tema "Lutar contra a inflação", afirmou que "é necessária uma mobilização da sociedade civil porque vamos entrar num período de muita conflitualidade". "Se não houver possibilidade de estabelecer consensos na sociedade civil e esta não for capaz de encaminhar a sociedade política, será muito difícil fazer frente aos populismos e a todos os riscos que a eles estão associados", frisou, avisando que o combate à inflação deve implicar "distribuição de sacrifícios" porque "estamos a viver um momento excecional". "Desta vez é diferente", disse.

Aos jornalistas portugueses presentes no fórum galego, explicou depois que o objetivo é "fazer voltar a inflação aos níveis da estabilidade nominal, que é à volta dos 2%, e que para isso há necessidade de encontrar um pacto social em torno da distribuição dos sacrifícios que daí resultam". "Os bancos centrais não podem garantir por si o regresso à estabilidade nominal sem um grande custo. O ideal é que do ponto de vista das políticas económicas, sociais e, sobretudo, do pacto social se crie uma ambiente favorável à contenção do impacto inflacionista", adiantou, acrescentando que, desta forma, se evitará que "a ação do banco central tenha a dimensão e impacto que poderá ter se a inflação fugir do controlo". "O objetivo é ajudar na gestão do processo inflacionário, de forma a que haja uma redução das tensões inflacionistas e a permitir que a política monetária seja menos agressiva", sublinhou.

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Para o ex-governador do Banco de Portugal, essa "é uma decisão das instâncias nacionais, o banco central não tem de tomar posição sobre isso". "Cada país tem as suas instâncias, os seus órgãos de concertação social, onde têm que ver como é que vão lidar com o processo inflacionário, com a fixação de salários e preços, de forma a assegurar que o custo é limitado", justificou, considerando que "todos os países ainda estão no início deste processo". E que, em Portugal, o que "é necessário fazer, é acionar as instâncias de concertação social e comprometer todos os parceiros em torno de uma trajetória de preços e salários compatível com o controle da inflação, que se não acontecer, implica perda de competitividade numa economia como a portuguesa".

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