Economia

Economistas corrigem Excel mas mantêm conclusões sobre impacto da dívida

Economistas corrigem Excel mas mantêm conclusões sobre impacto da dívida

Os economistas de Harvard Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff publicaram uma correção do controverso estudo que fizeram sobre o impacto da dívida pública no crescimento económico, mas mantêm as conclusões como válidas.

O estudo "Crescimento em Tempos de Dívida" de Reinhart e Rogoff de 2010 - que concluía que uma dívida elevada era acompanhada necessariamente por uma recessão - foi posto em causa depois de um estudante de Econometria da Universidade Amherst de Massachusetts ter descoberto erros nos cálculos do método estatístico.

Posteriormente, três investigadores da universidade de Massachusetts publicaram trabalhos que contestam as conclusões do estudo, devido designadamente a erros de cálculo e omissão de dados de determinados países no estudo e acusam os autores de Harvard de fazerem falsamente a apologia da austeridade.

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O trabalho da universidade de Massachusetts foi apresentado pelo estudante de doutoramento Thomas Herndon e pelos seus professores Michael Ash e Robert Pollin.

Na correção do estudo, publicada esta semana, os autores de Harvard corrigem uma série de erros nas tabelas estatísticas Excel e restabelecem dados referentes a Espanha e à Nova Zelândia, sem contudo pôr em causa as conclusões gerais do estudo.

Nos trabalhos de 2010, Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff concluíram que aos períodos em que a dívida pública dos países ultrapassava 90% dos respetivos Produtos Internos Brutos (PIB) correspondiam uma forte queda da atividade económica e nos países analisados a recessões, da ordem de 0,1%.

No novo estudo da universidade de Massachusetts, que junta nomeadamente dados de outros países, a conclusão é que o crescimento médio cai entre 2,8% e 1,8% em períodos em que a dívida pública ultrapassa 90% do PIB.

No entanto, os autores de Massachusetts sublinham que, qualquer que seja a forma como se tratam os dados, chega-se a uma perda significativa do crescimento.

Na correção, Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff afirmam "estar completamente de acordo" com os comentários dos críticos sobre "a experiência de um crescimento volátil e irregular depois da Segunda Guerra Mundial".

Mas "o problema é que o debate ignora completamente o nosso trabalho posterior que tocava neste problema", sublinham.

Os novos dados publicados permitem, contudo, contestar que a barreira de endividamento de 90% do PIB seja um limite sagrado que, quando é ultrapassado, implica que o crescimento se afunde brutalmente.

Publicado em plena crise na zona euro, o estudo de Harvard serviu, nomeadamente, como referência explícita ao eleito norte-americano Paul Ryan, antigo candidato republicano à vice-presidência, e aos defensores de políticas de austeridade na Europa, hoje vivamente criticadas em determinados países do sul.

O 'paper' de Rogoff e Reinhart é, segundo o Nobel da economia Paul Krugman, um dos dois que sustentam o "edifício intelectual da economia da austeridade".

O outro, refere no seu blogue, é o apresentado em 2009 por Alberto Alesina e Sílvia Ardagna, sobre os efeitos macroeconómicos da austeridade.

Segundo Krugman, um forte crítico das políticas de austeridade que estão a ser levadas a cabo em vários países, também este trabalho falhou ao não saber distinguir entre episódios em que a política monetária estava ou não disponível.

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