Emprego

Empresas apoiadas têm menos 118 mil trabalhadores

Empresas apoiadas têm menos 118 mil trabalhadores

As empresas que devido à pandemia recorreram a lay-off, ou que tiveram custos com salários comparticipados pela Segurança Social no âmbito do apoio excecional à família, chegaram ao final do ano com menos 117.900 trabalhadores, 5% menos que um ano antes, de acordo com dados produzidos pelo Instituto Nacional de Estatística, a pedido do JN/Dinheiro Vivo.

A maioria das perdas de postos de trabalho nestas empresas ocorreu entre abril e julho, meses em que corria a medida de lay-off simplificado e estavam proibidos despedimentos coletivos ou afastamentos por extinção de postos de trabalho, mas não havia qualquer impedimento à não renovação de contratos de trabalho, nas empresas apoiadas por esta medida.

Tanto no lay-off simplificado como no apoio aos pais forçados a ficar em casa para acompanhar os menores, foram os contribuintes a suportar parte dos salários, pagos pela Segurança Social com recurso a transferências do Orçamento do Estado.

No trimestre terminado em dezembro, as empresas e as entidades abrangidas pelas medidas de apoio contavam perto de 2,4 milhões de trabalhadores (2.360.600, nem todos sujeitos a lay-off ou com apoio à família). Eram menos 117.900 do que em período igual de 2019. Já face aos três meses terminados em fevereiro, último mês antes da pandemia, o ano terminou com menos 102.200 empregos.

Ao longo dos primeiros sete meses do ano, e mesmo nos meses antes da chegada da pandemia, houve redução do emprego nas empresas apoiadas, registando-se alguma recuperação em agosto, setembro e novembro. Em outubro e, sobretudo, dezembro, voltou a cair o número de trabalhadores. Maio foi, porém, o mês mais penalizador, com a redução, em termos líquidos, de mais de 39 mil postos.

sem apoios, mais emprego

Já no conjunto de empresas e outras entidades (a Função Pública entra nestas estatísticas) que não precisaram de qualquer apoio para pagar salários, o volume de emprego do final de 2020 ficou 1,9% acima do que se registava no termo do ano anterior, com mais 32.800 empregados para um total próximo de 1,8 milhões de trabalhadores.

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Na evolução ao longo do ano, também estas empresas viram cair o nível de emprego em todos os meses de janeiro a julho, mas, a partir daí, assistiu-se a uma recuperação que permitiu chegar ao final de 2020 com mais trabalhadores do que um ano antes. O mês mais forte foi o de dezembro, com um ganho de 26 mil trabalhadores.

Mais salário

Olhando para as remunerações, nas empresas com salários apoiados pelo Estado no último ano, observa-se o crescimento da média salarial em 3,5%, num efeito de ordem estatística que reflete largamente a eliminação dos postos de trabalho mais mal pagos. O salário-base bruto nestes negócios estava em dezembro em 898 euros.

Nas restantes atividades sem recurso às medidas do Estado, e onde o nível de emprego cresceu, o salário-base médio ficou 30% acima, nos 1166 euros, e não cresceu tanto. O avanço face a dezembro de 2019 foi de apenas 2,5%, nos cálculos do DV/JN a partir dos dados do INE.

Remunerações totais

Nestas empresas, mas no volume total de remunerações, houve uma quebra de 1,4% no total de salários pagos, menos 29 milhões.

Nas empresas sem apoios, o volume de salários-base pagos crescia em dezembro 4,3%, em praticamente 89 milhões de euros.

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