Impacto

Empresas fechadas reforçam pedidos de ajuda ao Governo

Empresas fechadas reforçam pedidos de ajuda ao Governo

Na perspetiva de um confinamento até finais de março, setores em grave crise imploram por mais apoios.

Com pelo menos mais seis semanas de suspensão da atividade na calha, devido ao possível prolongamento do confinamento até finais de março, as associações setoriais apelam ao reforço dos apoios às empresas e trabalhadores. Há atividades que admitem o colapso caso não sejam revistas determinadas medidas, outras alertam para a urgência na rapidez da disponibilização de fundos.

Ana Jacinto, secretária-geral da associação da restauração AHRESP, frisa que o Governo tem de ter em conta que há já "atividades que estão a atravessar uma grave crise de sobrevivência" e que carecem de "apoios robustos, a fundo perdido, e que cheguem rápida e agilmente". Para a dirigente, é preciso resolver o "gravíssimo problema", sendo que os atuais apoios "são manifestamente insuficientes". Na sua opinião, "esta poderá ser a última oportunidade para salvar muitas das 120 mil empresas de restauração e alojamento turístico, e muitos dos 400 mil postos de trabalho".

Para Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio, o Governo "tem ainda muita preocupação com questões, como o défice, que têm de passar para segundo plano" face ao prolongamento do confinamento. Esta situação "tem efeitos económicos brutais no setor e em toda a atividade económica" e, por isso, "terá que haver um plano mais forte de reforço das medidas". E elenca: os apoios têm que abranger a área fiscal, já que muitas empresas não têm condições de cumprir as obrigações; devem ter um grande reforço a fundo perdido; e deve ser repensado todo o sistema de moratórias.

Desespero

Os clubes de fitness estão "numa situação muito difícil e desesperados", sem "apoios específicos", sublinha o presidente da Portugal Activo, José Carlos Reis. O responsável defende que os ginásios devem estar na primeira linha das aberturas aquando do início do desconfinamento, porque são "promotores de saúde, física e psicológica". Enquanto aguarda uma reunião com o Ministério da Economia, lembra que já solicitaram apoios a fundo perdido para o setor e também subsídios para os profissionais do desporto, muitos a recibos verdes e que hoje estão sem qualquer rendimento, e já a recorrer ao Banco Alimentar.

Já a associação dos livreiros apela a que seja permitida a venda de livros nos atuais pontos em funcionamento, como papelarias, tabacarias, lojas CTT ou supermercados. Como frisa Pedro Sobral, vice-presidente da APEL, "o impedimento não tem nenhum racional sanitário nem económico". Para o responsável, essa medida é fundamental para evitar o colapso de todo um setor e solicita ao Governo que as livrarias sejam das primeiras a poder vender livros ao postigo ou mesmo a abrir portas logo que a crise sanitária o permita.

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Crítica ao Executivo

Manuel Carmo Gomes disse que o Governo se tem limitado a correr "atrás da pandemia". Pediu uma abordagem "agressiva" e não "gradualista", em que a testagem substitua o confinamento enquanto "principal arma" contra a pandemia. Por razões profissionais, não voltará a falar nas reuniões - e foi o próprio quem pediu que se evite a "exploração política" do tema.

Fechar dois meses

Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), defendeu que o confinamento deve durar dois meses ininterruptos. Só assim, afirmou, se reduzirão para menos de 200 os internados em cuidados intensivos e a incidência para 60 casos por 100 mil habitantes.

Confiança na vacina

Carla Nunes, da Universidade Nova de Lisboa, revelou que 75% dos inquiridos num estudo querem tomar a vacina "assim que possível". Em novembro, eram só 20%.

Nova variante

João Paulo Gomes, do INSA, disse que a variante da Califórnia já representa 6,8% dos casos.

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