Economia

Endividamento externo não é prioridade, defende Vítor Constâncio

Endividamento externo não é prioridade, defende Vítor Constâncio

O governador do Banco de Portugal defendeu esta terça-feira que a resolução do problema português do endividamento externo não deve ser prioritária, dado o actual contexto de conjuntura recessiva.

"No curto prazo, conter mais o crescimento do endividamento externo implicaria o agravamento da recessão, que não seria aceitável face aos riscos de desemprego e perda de rendimento que implica", afirmou o governador Vítor Constâncio, em conferência de imprensa, na apresentação do boletim económico de Inverno.

"Em conjuntura recessiva mundial não podemos contemplar o objectivo exigente de reduzir ou conter muito o nosso endividamento", notou o mesmo responsável, referindo que não acredita que, apesar das interpretações feitas por alguns analistas, o discurso de Ano Novo do Presidente da República tenha como intenção tornar prioritário a resolução do problema do défice externo.

"Não creio que a interpretação do que disse o Presidente da República possa ser de que possa estar a dar prioridade ao problema do endividamento", disse Constâncio.

Na sua mensagem de Ano Novo, a 1 de Janeiro, o Presidente Aníbal Cavaco Silva afirmou que "há uma verdade que deve ser dita - Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz. Não pode continuar, durante muito mais tempo, a endividar-se no estrangeiro ao ritmo dos últimos anos".

"A prioridade da política económica em todos os países consiste agora em tentar minorar uma recessão que se tornou inevitável", disse o governador do Banco de Portugal.

As previsões do Banco de Portugal apontam para um agravamento das necessidades de financiamento portuguesas de 8,2 para 9,0 por cento do produto interno bruto (PIB), entre 2007 e 2008, e para uma melhoria para os 7,0 por cento em 2009. Em 2010, a expectativa é de subida para 7,5 por cento do PIB.

A justificar esta melhoria do défice externo em 2009 deve estar a "forte queda" dos preços do petróleo nos mercados internacionais e a redução das importações (um por cento), segundo Vítor Constâncio.

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