Salários na Saúde

Enfermeiro: "Contamos apenas como números"

Enfermeiro: "Contamos apenas como números"

Há 14 anos que o enfermeiro Pedro Gonçalves trabalha no Hospital de Guimarães. Iniciou a profissão em 2004, mas passou antes pelos hospitais Garcia de Orta, em Almada, e Centro Hospitalar Gaia/Espinho.

Antes da pandemia, desempenhava funções no bloco operatório como enfermeiro do serviço de anestesiologia. Mas como tem experiência de trabalho nas urgências, e muitas das salas de operações fecharam, foi chamado para acudir às emergências.

O risco inerente à profissão, o trabalho por turnos, os feriados e dias festivos passados no hospital, o sacrifício dos filhos, duplamente penalizado porque a mulher também é enfermeira, são os exemplos que ilustram o desgaste da profissão. "O reconhecimento não pode passar só por palavras", sublinha, reclamando que a tutela vá mais além do discurso de agradecimento que tem proferido nas últimas semanas.

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O ano passado foi particularmente turbulento para os enfermeiros. Greves, manifestações, paralisação das cirurgias em reivindicação por uma carreira mais justa, que diferencie os anos de serviço e a experiência acumulada. Em 2015, Pedro Gonçalves, como milhares de outros enfermeiros, passou a auferir 1201 euros de salário base, o que se traduz, atualmente, num valor entre os 950 e os 1080 euros líquidos mensais.

O montante poderia ser superior se não tivessem sido "apagados" os anos de serviço até 2015. "Contamos apenas como números, a nossa experiência não serve para nada", lamenta, apelando ao Governo que "no fim disto tudo ponha as mãos na consciência" e valorize a experiência acumulada destes profissionais.

Salário: 1 080 Euros

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