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Engenheiros alertam: subida de preços e falta de matéria-prima "põem contratos em risco"

Engenheiros alertam: subida de preços e falta de matéria-prima "põem contratos em risco"

O aumento do preço das matérias-primas, até 58%, torna "impossível" a execução dos contratos dentro dos prazos e os preços assumidos. O alerta é da Ordem dos Engenheiros - Região Norte, que antevê "pedidos de rescisão de contratos" e "paralisação de trabalhos".

"Não será possível executar os contratos anteriormente firmados com os preços assumidos, sem entrarmos em prejuízo", alerta Bento Aires, presidente da Ordem dos Engenheiros - Região Norte (OERN). Em causa está o aumento do preço das matérias-primas, como o aço, produtos cerâmicos, gasóleo e vidro, com uma variação entre os 7 e os 58 %, salienta a OERN em comunicado.

O contexto nacional de subida da inflação e falta de matérias-primas, influenciado pelo contexto internacional da guerra na Ucrânia, com a invasão das tropas russas, e as sanções que se seguiram contra a Rússia, causam grande incerteza entre entidades contratantes e clientes.

"Na execução contratual impõem-se que os contraentes cumpram adequadamente as suas obrigações contratuais. No entanto, a escassez de matéria-prima bem como a falta de mão-de-obra podem trazer um cenário de dificuldade de execução e, até mesmo, de incumprimento desses mesmos contratos", explica Bento Aires, citado no comunicado.

"Os empresários/donos de obras/fornecedores e clientes estão apreensivos porque o acréscimo dos custos da energia e das matérias-primas tornam imprevisível a conclusão de obras e resposta a clientes, antevendo-se pedidos de rescisão de contratos, paralisação de trabalhos, desvios consideráveis de custos e prazos de entrega de serviços e bens", acrescenta o presidente da OERN.

Bento Aires defende que o Estado deve encontrar incentivos ou soluções para as empresas, "porque se o Estado não o fizer vamos deixar de ter condições para produzir e os efeitos na economia serão incomensuráveis."

Para debater estes problemas e analisar possíveis soluções realiza-se, no próximo dia 18, a conferência "Execução contratual em tempos de incerteza", na sede da OERN, no Porto.

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