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Greve

Escolta policial para abastecer na Cepsa em Matosinhos

Escolta policial para abastecer na Cepsa em Matosinhos

A greve dos motoristas de matérias perigosas levou a que alguns camiões tivessem de ser escoltados para abastecer, nas instalações da companhia espanhola Cepsa em Matosinhos, na tarde desta terça-feira. No mesmo concelho, os grevistas concentraram-se também junto à Petrogal, tendo o protesto decorrido sem incidentes em ambos os locais.

Ordeiros, quase silenciosos e sem cartazes de encher o olho. Assim poderíamos caracterizar os motoristas que tentavam dissuadir os colegas que não fizeram greve. À porta da Petrogal, de onde habitualmente saem camiões para abastecer uma área que se estende desde a zona Norte (litoral e interior) até à região de Leiria, o movimento de pesados era quase nulo por volta das 15 horas. Segundo Angelino Fernandes, um dos motoristas em greve, desde o início da paralisação só dois camiões de transporte de matérias perigosas tinham entrado nas instalações e "pela parte traseira" da refinaria.

O mesmo grevista dizia aos jornalistas que "as empresas têm mantido os camiões nos seus parques, parados". Quanto ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, na Maia, explicou que o abastecimento não é feito por via terrestre mas sim por redes subterrâneas que seguem diretamente da refinaria. O problema maior seria nas bombas de gasolina. "Há muitos postos de abastecimento da zona do Grande Porto que esgotaram os seus stocks", garantia Angelino Fernandes.

Pouco depois das 17 horas, chegaram às instalações da Cepsa, mesmo junto ao porto de Leixões, três camiões da empresa Transportes Nogueira escoltados pela GNR. Nesse local, a presença da PSP fazia-se notar ainda mais do que na refinaria. Foram os primeiros veículos a entrar ali para abastecer, desde que a greve começou. Por essa altura, os grevistas deixaram entrar também um camião espanhol que esteve parado no parque.

Neste piquete de greve, Rui Gonçalves fazia constantes apelos aos colegas para que se manifestassem com calma. O barulho que mais se ouvia era de uma vuvuzela e de aplausos, nos momentos em que os camiões entraram e saíram do local de abastecimento, já carregados com gasolina ou gasóleo.

No meio dos grevistas alguém disse que era "uma vergonha tanto aparato", pois cada pesado era acompanhado por um carro-patrulha e uma carrinha da força de intervenção. Há mais de 20 anos na profissão, Rui Gonçalves reconheceu os três motoristas como tendo sido seus formandos. "Vimos na cara dos colegas que não vinham bem psicologicamente", disse, lamentando que "os empresários assobiem sempre para o lado".

Tal como sucedeu um pouco por todo o país, em Matosinhos já havia automobilistas a precaver-se e em alguns postos começou a faltar combustível a seguir ao almoço. Na bomba da Galp da A28 no sentido Sul-Norte, na Senhora da Hora, não havia gasóleo e previa-se que a gasolina acabasse ainda hoje. Curiosamente, no posto situado em frente, nenhuma produto estava esgotado e a funcionária com quem o JN falou acreditava que ainda será possível abastecer lá até meio da tarde desta quarta-feira.

No posto da Cepsa da Rua de Alfredo Cunha, no centro da cidade, ao fim da tarde nada tinha esgotado e algumas pessoas estavam a atestar os depósitos. Em Pedrouços, no vizinho concelho da Maia, uma bomba da Prio teve de tal maneira clientela que os carros entupiram a rua.