Economia

Espanhóis alertam para prejuízos do pagamento na A22

Espanhóis alertam para prejuízos do pagamento na A22

Representantes políticos e do sector dos transportes espanhóis alertaram este sábado para os prejuízos económicos, sociais e culturais que a introdução de portagens na Via do Infante (A22) vai acarretar para o Algarve e a província de Huelva, em Espanha.

O alerta foi feito pelo alcaide da localidade fronteiriça espanhola de Ayamonte, António Rodríguez, eleito pelo Partido Socialista Espanhol (PSOE), e os representantes locais do Partido Popular (PP), José Maria Mayo, e da Izquierda Unida (IU), António Miravént, junto à localidade da Altrura, Castro Marim.

Igualmente presente no local esteve o secretário-geral da Federação Nacional de Associações de Transporte de Espanha (FENADISMER), que defendeu a criação de "uma zona neutra sem portagens" entre Faro e Huelva.

Os quatro juntaram-se a membros da Comissão de Utentes da Via do Infante, que hoje realizam uma marcha lenta contra as portagens em direcção ao Parque das Cidades, em Faro, onde vão juntar a outras provenientes de Tavira, Portimão e Albufeira.

"Com todo o respeito pela soberania portuguesa, esta é uma medida que nos deixa muito preocupados porque traz prejuízos para as duas regiões", afirmou à agência Lusa o alcaide de Ayamonte.

José Rodríguez disse que "o aeroporto de Faro recebe por ano 300 mil turistas que depois seguem para as unidades hoteleiras de Huelva", pelo que a introdução de portagens na Via do Infante também pode representar um prejuízo tanto para o fluxo de passageiros no aeroporto algarvio como para as unidades hoteleiras espanholas.

A redução das relações pessoais e culturais entre as duas regiões é outra das preocupações manifestadas pelos representantes dos três partidos políticos, que aprovaram no Ayuntamiento de Ayamonte uma moção contra a introdução de portagens e a pedir ao Governo espanhol e à Junta da Andaluzia para intercederem junto do Governo português para, pelo menos, alterar o sistema que se prevê vai ser implementado para a cobrança e a defender o princípio de que quem passa paga, contra a compra de um cartão com uma determinada validade.

O secretário-geral da FENADISMER disse à Lusa que a Federação que representa "foi sempre contra qualquer imposto ou portagem sobre as infraestruturas" e sublinhou que o Algarve e Huelva são "ultraperiféricas" e "têm que colocar os seus produtos, sobretudo fruto-hortícolas, no mercados do centro da Europa".

"Se formos a portajar as vias, encarecemos os produtos e perdemos competitividade", advertiu.

Juan António Millán Jaldón disse ainda que "não faz sentido a União Europeia estar a criar euro-regiões e depois os Estados porem entraves à mobilidade entre elas".

"Por isso defendemos a existência de uma zona neutra, sem portagens, entre Huelva e Faro", afirmou.

O representante do PP de Ayuntamiento alertou, por seu turno, que "se se põem dificuldades ao trânsito económico e cultura, isso vai trazer prejuízos consideráveis, sobretudo para o setor comercial".

"A autoestrada foi feita com fundos comunitários e é uma via de intercâmbio económico, social e cultural entre o Algarve e a província de Huelva", afirmo Mayo.

O representante da IU disse à Lusa que esta "é uma posição unânime de todo o povo de Ayamonte, porque a medida irá prejudicar não só as relações comerciais, como as culturais e as pessoais".

"Há muitos espanhóis e portugueses que se deslocam ao outro lado da fronteira para comer, ver espetáculos ou passar um dia e esta medida vai criar obstáculos a isso", disse Miravént