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Espanhóis preocupados com introdução de portagens nas SCUT A25 e A23

Espanhóis preocupados com introdução de portagens nas SCUT A25 e A23

Empresários do sector dos transportes de mercadorias da Província espanhola de Salamanca reagiram hoje, sexta-feira, com "preocupação" e "desagrado" à introdução de portagens nas duas autoestradas Sem Custos para o Utilizador que fazem ligação com a fronteira.

O Governo aprovou quinta feira em Conselho de Ministros uma resolução que fixa a cobrança de portagens nas SCUT do Norte Litoral, Grande Porto e Costa de Prata a partir de 15 de Outubro, e, até 15 de Abril de 2011 nas restantes - Interior Norte, Beira Litoral e Alta, Beira Interior e Algarve.

Os empresários espanhóis hoje contactados pela Lusa, que tiveram conhecimento da decisão governamental através dos jornais e da Internet, admitiram que receberam a notícia com "desagrado" e um deles mostrou-se disponível para "protestar".

"Parece-me muito mal", afirmou o director da empresa Transportes Frigoríficos S.L., Jesus Albuquerque, com sede em Salamanca, que "várias vezes por semana" efectua transportes para Portugal.

Segundo o empresário, com uma frota de 30 camiões e 40 empregados, com a decisão anunciada "a situação económica das empresas ficará mais difícil".

"Em Portugal as coisas estão mal e em Espanha estão ainda pior. Se tivermos que pagar portagens, será muito complicado", disse.

Jesus Albuquerque referiu que quando começar a pagar portagens nas vias portuguesas, "em princípio" não reduzirá as viagens, mas poderá "ter que subir os preços", daí que veja o futuro do sector "muito obscuro".

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Já o empresário Manuel Entisne, proprietário de uma transportadora de Ciudad Rodrigo que tem o seu nome, afirmou à Lusa que a introdução de portagens nas autoestradas A25 e A23 "é uma coisa que não se devia concretizar, porque a situação dos transportes está má".

"Não é lógico. É uma coisa que não me agrada", disse o empresário, esclarecendo que "apesar de não fazer muitos transportes para Portugal", a medida "irá repercutir-se logo no preço final do cliente".

Mostrou-se também preocupado com o futuro, pelo facto de o Governo de Espanha também poder avançar com medida idêntica na ligação "entre Fuentes de Onõro e Salamanca".

"De momento não se sabe nada, mas se for preciso protestar teremos que protestar todos juntos e unidos", disse Manuel Entisne, referindo-se aos empresários do sector de ambos os países.

Admitiu que no caso de surgirem protestos "certamente que haverá mobilização" porque os espanhóis consideram que a introdução de portagens nas vias que servem a zona fronteiriça "não tem lógica".

Em relação à realização de protestos, o empresário de Salamanca Jesus Albuquerque não se mostra muito receptivo à ideia, justificando: "Estamos cansados de protestar e de fazer manifestações".

O director geral da firma transportadora Carlos Vasques, de Ciudad Rodrigo, também contactado hoje pela Lusa disse apenas que a aplicação de portagens nas autoestradas A25 e A23 não lhe parece "correcto".

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