A crise chegou sem aviso ao turismo, um setor que pesa 8% no produto interno bruto (PIB) português. A maleita sanitária, económica e social veio à boleia de um vírus que ainda não foi erradicado e nem sequer controlado.

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Em direto: Novas formas de turismo

Em direto: Novas formas de turismo

A sua ubiquidade gerou um fenómeno invulgar: a procura contraiu-se quase ao mesmo tempo que a oferta. Em todo o mundo, o medo de viajar levou a cancelamento de voos e de reservas em alojamentos. A oferta turística reduziu-se abruptamente desde março de 2020, levando ao encerramento compulsivo de empreendimentos turísticos. E aqueles que não fecharam devido a confinamentos, acabaram por fazê-lo, de forma definitiva ou temporária, em resultado da quase ausência de clientes. O fenómeno, desta vez, não foi localizado. A sua origem não radicou num ataque terrorista nem num surto de ébola. A covid-19 era e ainda é global, capitalizando a sua transmissão no caráter de um mundo mais globalizado do que nunca.

A pandemia atacou um órgão vital da economia portuguesa. Poderá não matar o paciente, mas está a deixar um rasto de destruição de empresas e de empregos que obriga a repensar o turismo na fase pós-covid. O setor vê-se, deste modo, obrigado a procurar novas formas de atrair clientes, eventualmente reequacionando o modelo de turismo de massas, mais presente na muita castigada região do Algarve, e apostando mais no desenvolvimento de alternativas que realcem as características ímpares de algumas regiões portuguesas.

A Rota da Estrada Nacional 2, que atravessa 35 concelhos de norte a sul de Portugal, constitui um ponto de atração que rejeita o paradigma das massas atraídas pelo litoral. São quase 740 quilómetros, com 11 serras e 13 rios. A EN2 só é comparável à Route 66, nos EUA, e à Ruta 40, na Argentina.

As novas formas de turismo poderão ainda passar pela promoção do turismo religioso, cultural e do enoturismo das quintas durienses. Ora, o Douro poderá vir precisamente a ser um ativo de promoção ibérica, deixando para trás a lógica de nacionalizar aquilo que extravasa fronteiras e que só ganhará força no quadro de um esforço promocional luso-espanhol. Nada será como dantes, mas o debate sobre os caminhos a seguir nunca foi tão necessário.

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