União Europeia

Especialista defende que bancos terão que fechar por toda a Europa

Especialista defende que bancos terão que fechar por toda a Europa

O especialista em banca René Smits considera que bancos por toda a Europa vão ter de fechar portas, mas que isso deve ser feito através do mecanismo de resolução comum, um dos pilares da futura União Bancária.

"Temos demasiados bancos a serem recapitalizados pelos Estados, mas temos de fazer isso [fechar bancos] com calma e em comum, porque se o fizermos individualmente cada Estado-membro terá um problema orçamental. Por isso precisamos da união bancária mais cedo que tarde", disse em entrevista à Lusa René Smits, referindo-se a um dos três pilares da União Bancária, o Mecanismo de Resolução Comum.

A criação da União Bancária foi aprovada em junho do ano passado pelos líderes europeus com o objetivo de quebrar a ligação entre o sistema financeiro e as finanças públicas, com os países a colocarem em causa a sustentabilidade das suas finanças públicas devido à necessidade de acudir ao sistema financeira, como foi o caso da Irlanda que chegou a ter um défice de mais de 30% do seu Produto Interno Bruto (PIB).

A União Bancária assenta em três pilares: um supervisor comum (cujo papel de supervisionar os principais bancos europeus vai caber ao Banco Central Europeu), um sistema de garantia de depósitos comum (que garante os 100 mil euros de depósitos caso um banco vá à falência) e um mecanismo de resolução e de recapitalização bancária comum.

Apesar de todos os problemas que envolvem a criação da União Bancária, o Mecanismo de Resolução Comum é para René Smits aquele que será "mais difícil" de concretizar, devido à necessidade de ser dotado com fundos pagos pela banca.

O professor da área de economia e política monetária na Universidade de Amesterdão e que já trabalhou no banco central da Holanda diz-se ainda "desiludido" com outros aspetos da futura União Bancária, como a redução do número de bancos que serão supervisionados pelo BCE no âmbito do mecanismo comum de supervisão e que deixará de fora bancos regionais e "politizados", como as "cajas" em Espanha ou os "länder", na Alemanha.

"É uma das minhas desilusões, mas ainda assim vejo como positivos alguns sinais. O BCE mantém o poder de autorizar todos os novos bancos, se alguma coisa correr mal pode tirar os bancos dos supervisores nacionais e ainda organiza o Mecanismo Único de Supervisão", afirmou René Smits.

O responsável considera que a União Bancária é um "elemento essencial" na resolução da crise, ao reduzir os danos que o sistema financeiro possa colocar sobre as contas dos países, mas que não é a única para resolver a crise.

"Precisamos de mais", garantiu.

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