TGV

Especialistas dizem que abandonar troço Poceirão-Caia é prejudicial para o país

Especialistas dizem que abandonar troço Poceirão-Caia é prejudicial para o país

Especialistas em comboios são unanimes em dizer que o troço ferroviário Poceirão-Caia é importante e que o abandono do projeto, anunciado na quarta-feira pelo ministro da Economia, é prejudicial para o país.

"É uma notícia muito má. Praticamente deixa o país sem qualquer investimento ferroviário de relevo nos próximos seis anos", disse à Lusa Manuel Tão, professor na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve.

O governo anunciou, na quarta-feira à noite, em comunicado, que o projeto do TGV (comboio de alta velocidade) será "definitivamente abandonado", depois do chumbo do Tribunal de Contas ao contrato do troço Poceirão-Caia.

Na nota, o governo reafirma que, em termos de redes ferroviárias transeuropeias, a sua prioridade está nas ligações de transporte de mercadorias a partir de Sines e Aveiro, visando "reforçar as condições para o aumento da competitividade das exportações portuguesas".

Sobre esta prioridade, Manuel Tão frisou que "é tudo fantasia" porque Espanha não vai investir em qualquer alteração de bitola para "atender a um capricho de Portugal".

O especialista em comboios sublinhou ainda que o atual acesso ferroviário do Porto de Sines a Espanha "é pouco competitivo" e explicou que "é preciso ir quase até Tomar e depois voltar a sul porque não existe uma ligação através do Alentejo".

Com a não construção do troço Poceirão-Caia, Manuel Tão teme que aquele porto vá perder competitividade e que "outros portos, nomeadamente Algeciras ou Valência, possam emergir como oportunidades de negócio muito mais atraentes".

Por seu lado, o professor universitário Paulino Pereira defendeu que o troço Poceirão-Caia deve ser "renegociado para se tornar mais vantajoso face ao que tinha sido anunciado" e que deve ser construído para "não se perder o financiamento comunitário" e porque "tem grandes vantagens no transporte de mercadorias".

Para este especialista em comboios, o Governo deve começar já a pensar no quadro comunitário 2014-2020, no âmbito do qual deve privilegiar a ligação Vilar Formoso-Irun, Espanha.

"Nós asseguramos as ligações até Vilar Formoso", acrescentou Paulino Pereira, frisando que essa ligação é "importante para escoar as mercadorias do Porto de Sines".

Posição diferente tem o empresário Henrique Neto, para quem a ligação de mercadorias não deve passar por Madrid, porque a capital espanhola não tem ligações ferroviárias à Europa.

"A maioria das mercadorias que vão para a Europa segue por Valladolid, Irun e Paris. A linha [portuguesa] ideal é a do Norte e da Beira em direção à Europa e não a Madrid", disse.

Henrique Neto criticou as opções do Governo, afirmando que "tem vindo a servir os interesses de Espanha e Espanha quer que nós liguemos a Madrid para ficarmos dependentes deles". Para o empresário, "Madrid não tem interesse nenhum para a economia portuguesa".

Henrique Neto disse ainda não concordar com a "insistência" do Governo nos portos de Sines e Aveiro, defendendo que os caminhos de ferro "são muito importantes é a partir das fábricas". "Os espanhóis é que lhes meteram na cabeça que era importante o acesso aos portos", disse.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG