Orçamento

Estado agrava em 24% dependência de dívida externa

Estado agrava em 24% dependência de dívida externa

É preciso dinheiro que agarre os fundos europeus. E pelo menos mais 500 milhões de euros para amparar empresas públicas ou Fundo de Resolução.

Neste momento, o défice público previsto para 2022 continua igual ao que foi estimado em dezembro passado pelo Governo, mas a dependência de dinheiro externo aumenta de forma substancial face ao que se pensava há um mês, em cerca de 24% face a 2021 (mais 4,4 mil milhões de euros), mostram cálculos do JN/Dinheiro Vivo com base em dados oficiais ontem divulgados pelo IGCP (a agência que gere a dívida pública).

Parte das verbas adicionais é necessária por causa de um agravamento das necessidades financeiras de algumas empresas públicas e/ou do Fundo de Resolução, diz a agência.

Segundo as novas previsões do organismo presidido por Cristina Casalinho e tutelado pelo ministro das Finanças, João Leão, o Estado vai precisar de ir muito mais do que previa (em dezembro) aos mercados de Obrigações do Tesouro (OT).

Na apresentação que fez aos investidores internacionais em dezembro, a estimativa apontava para um valor arrecadado através de leilões na ordem dos 14,6 mil milhões de euros. Agora, a meta vai subir mais de 20%, para os 17,7 mil milhões de euros. Cerca de 3,1 mil milhões adicionais.

E seria mais, não fosse o encaixe previsto de 1,2 mil milhões de euros em fundos europeus (PRR - Plano de Recuperação e Resiliência) e o uso de depósitos (1,4 mil milhões de euros).

De acordo com vários analistas, a aceleração no endividamento de mercado (sobretudo nas OT, que são para pagar mais tarde, no longo prazo) pode estar relacionada com o ambiente de fim de ciclo da política de juros quase zero, do Banco Central Europeu (BCE).

PUB

Quanto mais for ao mercado agora, enquanto as taxas de juro estão em mínimos, mais dívida cara o Estado consegue trocar por outra mais barata. Isso reflete-se nos juros, rubrica da despesa que conta para o défice. Só em juros, Portugal terá de pagar à volta de sete mil milhões de euros aos credores (bancos e outros), em 2022.

O enorme programa especial de compra de dívida, sobretudo OT dos países da Zona Euro (o chamado PEPP), para responder assim aos custos da pandemia de covid-19 e fazer baixar ainda mais as taxas de juro, facilitando os fluxos de crédito, vai terminar em março de 2022.

O Governo sabe disso e está a agir em conformidade. Aproveitar o que resta do balão de oxigénio que tem mantido os juros dos países da Zona Euro em níveis artificialmente baixos, quase em zero ou abaixo de zero. Mas não só. O combustível da retoma é uma forte injeção de fundos europeus e terão de ser ancorados em recursos nacionais. Para tal, o endividamento terá de aumentar.

Mas há mais, mostrou ontem o IGCP. Segundo a agência, o Estado vai precisar de mais 500 milhões de euros de financiamento líquido para pagar o défice e eventuais reforços de ajudas a empresas e outras entidades públicas (como o Fundo de Resolução) em 2022 face ao que previa há cerca de um mês.

Assim, em vez de 10,4 mil milhões de euros estimados no início de dezembro passado, o Estado vai precisar de 10,9 mil milhões.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG