Economia

Estado melhora pagamentos a empresas mas ainda tem atraso de 69 dias

Estado melhora pagamentos a empresas mas ainda tem atraso de 69 dias

O Estado português registou em 2014 uma diminuição de quatro dias no atraso médio dos pagamentos a empresas, face ao ano passado, mas ainda assim demora 69 dias além dos prazos estabelecidos, indica um estudo.

Apesar desta melhoria, o tempo que o Estado se atrasa a pagar às empresas é mais do dobro do que sucede com outras empresas com dívidas por pagar (33 dias) ou dos próprios consumidores (30 dias), revelam os dados do Índice de Risco de Portugal 2014, recolhidos no âmbito da décima edição do EPI-European Payment Index.

Por outro lado, apesar da evolução das contas a receber apresentar "um saldo ligeiramente positivo", os créditos superiores a 90 dias mantêm um peso muito relevante para as empresas portuguesas, representando 27% do total.

Os dados divulgados pela Intrum Justitia, uma consultora europeia especializada em serviços de gestão de crédito e cobranças, indicam também que os incobráveis sofreram um ligeiro aumento em Portugal de 3,9% no ano passado para 4% em 2014, enquanto que na Europa essa percentagem passou de 3% para 3,1%.

"Os incobráveis são mais elevados na Europa Meridional e de Leste, enquanto que os países do Norte como Noruega, Finlândia e Suíça têm uma menor percentagem de incobráveis", destaca a Intrum Justitia em comunicado.

De acordo com o estudo, o índice de risco de pagamentos em Portugal situa-se atualmente em 192, "o que pressupõe uma intervenção urgente e a tomada de medidas para baixar o perfil de risco".

Por outro lado, 70% das empresas portuguesas inquiridas apontam a perda de rendimentos como uma consequência dos atrasos de pagamento, 84% receia pela liquidez e 66% afirma que os atrasos de pagamento impediram o seu crescimento. Já 45% não tencionam contratar novos funcionários.

"Estes são números muito preocupantes quando comparados com outros países europeus e para agravar a situação, verificamos que 63% dos entrevistados investiram menos em inovação e 64% não registaram crescimento", afirma Luís Salvaterra, diretor geral da Intrum Justitia Portugal.

Os resultados do estudo mostram também que 43% dos gestores portugueses inquiridos aguardam 125 dias antes de recorrerem a uma empresa especializada na recuperação de crédito.

Segundo a consultora, foram inquiridas 503 empresas portuguesas, sendo que o inquérito realizou-se entre janeiro e março deste ano.