Energia

Estimativas de consumo de luz têm os dias contados

Estimativas de consumo de luz têm os dias contados

Introdução do sistema inteligente será progressivo, havendo uma fase transitória, até final de 2020.

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) estabeleceu o dia 1 de janeiro de 2021 como data limite para que os sistemas inteligentes passem "a uma nova fase com os serviços completos das redes inteligentes". Ou seja, a partir desta altura, os contadores inteligentes (digitais) já devem estar aptos a comunicar à rede os consumos reais dos consumidores e os comercializadores deixam de poder enviar faturas com base em estimativas, contestadas com frequência pelos clientes.

Esta e outras regras estão espelhadas no Regulamento dos Serviços de Redes Inteligentes de Distribuição de Energia Elétrica, que a ERSE aprovou e publicou esta semana.

Diz o regulador que "a introdução das novas regras será gradual, havendo uma fase inicial de implementação, transitória, que se estende até 31 de dezembro de 2020". A ERSE reconhece que "no imediato, as redes inteligentes não serão uma realidade universal no território, pelo que o cuidado com o serviço prestado aos restantes consumidores continua a ser uma prioridade da ERSE. O acesso aos consumos detalhados do consumidor só se fará com o seu consentimento, no caso das pessoas singulares, de acordo com as regras de proteção de dados pessoais".

Aos operadores da rede de distribuição em baixa tensão, o regulador promete "um incentivo [ainda a definir] baseado na partilha de benefícios explícitos para os consumidores, gerados pelos serviços das redes inteligentes".

A EDP Distribuição concorda e fonte oficial tinha já dito ao JN/ Dinheiro Vivo que "a instalação deste tipo de equipamentos e infraestruturas requer um grande esforço de investimento, pelo que a cadência de instalação pode ser influenciada pelos incentivos para a construção de redes inteligentes em Portugal".

No entanto, as previsões de datas da ERSE chocam com o último ponto de situação feito pela EDP Distribuição ao JN/DV. De acordo com o operador, "atualmente, já 70% do consumo de energia é recolhido por telecontagem", ou seja, todos os clientes empresariais e os circuitos de iluminação pública.