Mobilidade

Estratégia para mais bicicletas derrapa na partida

Estratégia para mais bicicletas derrapa na partida

Governo admite ligeiro atraso no plano para mais de 8000 km até 2030.

A "mudança de legislatura" provocou um "ligeiro atraso" na elaboração do documento orientador da Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável 2020-2030, com a qual o Governo quer pôr mais pessoas a usar a bicicleta. De acordo com o Ministério do Ambiente, "só após a definição deste documento orientador" será possível "quantificar as intervenções previstas para 2020". Apesar disso, há cada vez mais negócios em torno deste veículo e Portugal no top dos fabricantes.

A intenção é aumentar, na próxima década, o número de ciclovias dos atuais 2 mil quilómetros para um total de 10 mil, com recurso a vários investimentos, incluindo 300 milhões de euros do Portugal Ciclável. Os municípios deverão elaborar os projetos e apresentar candidaturas a financiamento.

Além das ciclovias, a estratégia contempla meia centena de medidas, como a inclusão do ciclismo como matéria extracurricular nas escolas, o fomento de sistemas públicos de uso partilhado e a consciencialização dos condutores logo nas escolas de condução. A ideia é aumentar a percentagem de deslocações em bicicleta de 1% (média portuguesa apurada nos censos de 2011) para a média europeia de 7,5%, e reduzir para metade os acidentes nas estradas.

A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta acredita que, nos últimos anos, muitas pessoas começaram a pegar na bicicleta e a percentagem de pessoas que a usa atualmente como meio de deslocação deverá rondar "2,8%", diz o presidente, José Manuel Caetano. Somando os que a usam para lazer e desporto, a percentagem "deverá subir para 5%".

Pagar aos ciclistas

Não é o atraso no plano que preocupa a federação, mas sim que as ciclovias sejam bem planeadas: devem ter continuidade, permitir ligação das zonas de habitação a outros transportes, escolas, locais de trabalho, serviços e equipamentos desportivos. Filipe Beja, da federação, sublinha que o investimento deve ter em conta outras medidas, como os "sistemas de uso partilhado" e a "retribuição do esforço, pagando, por exemplo, aos ciclistas, um valor por quilómetro percorrido", aponta, citando exemplos no estrangeiro.

Frederico Moura e Sá, especialista em mobilidade, lembra que os centros das cidades devem ter "ambientes amigáveis". "Estacionamentos para bicicletas, ligações adequadas e acalmia de tráfego nos centros urbanos", com a velocidade máxima dos carros nos 30 quilómetros/hora de forma a propiciar o uso partilhado em segurança, defende.

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