Economia

Eventual programa cautelar não exigirá apoio do PS, disse Passos Coelho

Eventual programa cautelar não exigirá apoio do PS, disse Passos Coelho

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou, esta quinta-feira, que um eventual programa cautelar terá a duração de um ano, cabendo no mandato do atual Governo, e por isso não exigirá o apoio do PS.

Em entrevista à TVI e à TSF, Pedro Passos Coelho ressalvou, contudo, que o executivo PSD/CDS-PP procurará o envolver o PS num eventual programa cautelar.

"Um programa cautelar, se vier a ser adotado, tem a duração de um ano, o que cabe perfeitamente naquilo que é o mandato deste Governo e da maioria que o suporta, que vigorará até às próximas eleições legislativas, que ocorrerão, dentro das circunstâncias normais, que eu espero que se verifiquem, em setembro de 2015", afirmou.

"Ora, não há nenhuma razão, nessa medida, para que um programa que cabe dentro da execução do mandato do Governo tenha de ter como exigência o apoio do principal partido da oposição", concluiu.

O primeiro-ministro considerou que, em qualquer caso, "é importante que possa existir sobre o futuro, sobre o médio e o longo prazo, um entendimento o mais alargado possível entre as principais forças políticas que têm vocação de Governo", acrescentando: "Nessa medida, nós nunca deixaremos de procurar o envolvimento do PS de modo a garantir que qualquer programa que vier a ser realizado, se vier a ser realizado, resulte de um entendimento tão alargado quanto possível".

Interrogado se Portugal não precisará de um segundo resgate financeiro, o primeiro-ministro respondeu que nos últimos dois anos e meio foi construído "um resultado que dispensa um segundo programa".

Passos Coelho considerou que Portugal tem "todas as condições para poder concluir com sucesso este programa de assistência", mas que é cedo para saber se sairá do atual programa "sem qualquer tipo de ajuda ou com algum tipo de ajuda".

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"As duas coisas são possíveis e eu não vou eliminar nenhuma delas hoje", disse.

O primeiro-ministro rejeitou "estigmatizar" um "programa de ajuda cautelar, quer dizer, que funcione como uma espécie de mecanismo de seguro que pode ser utilizado ou não em função de circunstâncias externas".

"Se for um programa cautelar, isso corresponde a fechar com sucesso o programa e a defender os interesses nacionais", defendeu.

Passos Coelho argumentou que só o facto de se discutir se Portugal deve ter ou não um programa cautelar "mostra evidentemente que o clima que se respira hoje no país é muito diferente daquele que se vivia ainda há seis meses".

"Qualquer das possibilidades deverá corresponder a uma avaliação rigorosa do que é que pode ser melhor para o interesse do país", acrescentou.

De acordo com o chefe do executivo PSD/CDS-PP, o Governo não está neste momento a negociar a possibilidade de um programa cautelar, "mas é muito provável que nos meses subsequentes comece a haver alguma interação quer com a 'troika' quer sobretudo com o Eurogrupo e com o Ecofin".

"As expectativas estão todas alinhadas para que nós possamos fechar favoravelmente o programa e sair da assistência económica e financeira, com mais ajuda ou menos ajuda, com mais proteção ou menos proteção, sobretudo tendo em conta que o que nós não queremos é, para fazer um bonito político, pôr em causa o interesse do país. Iremos fazer uma avaliação muito objetiva e rigorosa das condições", reforçou.

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