Crise Financeira

Extrema-direita finlandesa defende renegociação da ajuda a Portugal

Extrema-direita finlandesa defende renegociação da ajuda a Portugal

"O pacote de ajudas à Grécia e à Irlanda não funcionou", por isso, "terá de haver mudanças" nos planos europeus sobre o mecanismo de estabilidade financeira, defende o líder do partido de extrema-direita finlandês, Timo Soini, nomeadamente, sobre o resgate de Portugal.

Em declarações à televisão pública finlandesa YLE, Timo Soini, que depois das eleições de domingo lidera a terceira força política no país, indicou que "terá de haver mudanças" nos planos europeus de construir um mecanismo de estabilidade financeira, apesar de não ter querido dar mais pormenores sobre os pontos que deveriam ser modificados.

"O mais importante é que a Finlândia não precise de pagar pelos erros dos outros", sublinhou Timo Soini, um dos candidatos mais firmes para formar governo com os conservadores, que venceram as eleições de domingo mas com uma margem mínima.

O líder de extrema-direita, que nas últimas eleições para o Parlamento Europeu também tinha sido o candidato mais votado da Finlândia, assegurou que a sua intenção é mudar a partir de dentro as políticas económicas de Bruxelas. "Já se viu que o pacote de ajudas à Grécia e à Irlanda não funcionou. Agora as coisas vão começar a fazer-se de outra forma na Europa", sublinhou.

UE "fracassou"

Timo Soini, conhecido pelas suas visões ultra-nacionalistas e euro-cépticas, também dirigiu duras palavras contra a UE, ao afirmar que a União "fracassou". "Temos que a gerir melhor", disse.

Os "Verdadeiros Finlandeses" advertiram durante a campanha que não estão dispostos a participar num governo que dê "luz verde" a novos resgates financeiros, incluindo o português.

Analistas prevêem que as políticas comunitárias sejam precisamente o maior estorvo para a entrada do partido no governo devido à postura pró-europeia dos conservadores.

O avanço da extrema-direita na Finlândia teve um efeito imediato nos mercados ao contribuir para a queda da cotação do euro nas principais bolsas asiáticas e europeias.

Extrema-direita com 19% dos votos

O partido conservador Kokoomus venceu as eleições legislativas finlandesas com uma margem mínima, segundo os dados finais da Comissão eleitoral.

A força política liderada pelo ministro das Finanças finlandês cessante, Jyrki Katainen, obteve 20,4% dos votos e 44 dos 200 assentos parlamentares do parlamento (Eduskunta), mais dois cargos parlamentares do que o Partido social-democrata finlandês (42), que conquistou 19,1% dos votos.

Mas o grande vencedor da jornada eleitoral foi o partido nacionalista de extrema-direita Perussuomalaiset ("Verdadeiros Finlandeses", em português), que conseguiu 19% dos votos, o que representa 39 assentos parlamentares, oito vezes mais do que nas eleições legislativas de 2007, um feito sem precedentes na história da Finlândia.

O maior derrotado das eleições finlandesas foi o partido centrista da primeira-ministra Mari Kiviniemi, que caiu sete pontos percentuais (15,8%) e conquistou 35 assentos parlamentares, menos 17 em comparação com as anteriores eleições.

Kiviniemi reconheceu a derrota e assegurou que o verdadeiro vencedor das eleições foi o partido liderado por Soini, o único partido com representação no parlamento de Helsínquia que não perdeu votos.

A taxa de participação foi de 70,4%, mais 2,5% do que nas anteriores legislativas.

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