Covid-19

Famílias estão a poupar o dobro com a pandemia

Famílias estão a poupar o dobro com a pandemia

Confinados em casa, portugueses reduziram consumo em nove mil milhões de euros. Aforro subiu em igual medida.

As famílias residentes em Portugal estão a poupar, em média, o dobro face ao que era normal antes da pandemia de covid-19, mostram novos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados na quinta-feira. De acordo com um levantamento feito pelo JN/Dinheiro Vivo, entre a altura em que a troika deixou Portugal e terminou formalmente o programa de ajustamento (meados de 2014), as famílias estavam a conseguir aforrar anualmente qualquer coisa como nove mil milhões de euros. No final de 2019, nas vésperas da eclosão da pandemia, a poupança bruta já estava acima dos dez mil milhões.

Mas quando a covid-19 começou a alastrar, o Governo decidiu encerrar grandes partes da economia e impedir a circulação de pessoas para tentar deter as infeções e o efeito foi imediato. A poupança disparou para níveis nunca vistos. Segundo mostra o INE, a poupança média atualizada já estará acima dos 18 mil milhões de euros, sendo que no ano terminado no primeiro trimestre de 2021, o valor já superava os 21 mil milhões. É mais do dobro face ao histórico pré-pandemia.

Apesar da grave crise económica e social, o rendimento disponível manteve-se estável. Desde março de 2020, o Governo, ao mesmo tempo que obrigava muitas empresas a encerrar e milhões de trabalhadores a ficar em casa, avançou com uma panóplia de apoios ao rendimento e à manutenção dos empregos. O lay-off simplificado foi a mais forte dessas medidas e permitiu manter boa parte das remunerações. O desemprego subiu, mas não de forma explosiva.

Muitas famílias ajustaram hábitos. O consumo caiu abruptamente e o que não foi gasto neste tipo de despesas (cafés, restaurantes, transportes, etc.) acabou por se traduzir na quase totalidade em mais poupança.

Usando as médias móveis de quatro meses (soma dos valores trimestrais) do INE, verifica-se que, no ano que terminou no primeiro trimestre de 2021, o rendimento disponível ficou estabilizado face há um ano, mas as famílias cortaram a fundo no consumo - quase nove mil milhões de euros.

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Em compensação, parece ter havido uma transferência proporcional para a poupança, que engordou mais de nove mil milhões neste mesmo período em análise.

Taxa disparou para 22%

A taxa de poupança portuguesa costumava andar na casa dos 6% a 7% do rendimento disponível durante o período pós-troika. Mas no segundo trimestre do ano passado, a taxa disparou para 22,3%.

Mais 17,5 mil milhões

O Banco de Portugal calcula que em quatro anos, entre 2020 a 2023, as famílias portuguesas vão acabar por aforrar mais 17,5 mil milhões de euros do que poupariam se não houvesse pandemia.

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