Economia

Famílias recorreram menos ao crédito ao consumo no primeiro trimestre

Famílias recorreram menos ao crédito ao consumo no primeiro trimestre

O recurso das famílias portuguesas ao crédito ao consumo diminuiu 4,5%, em termos homólogos, entre Janeiro e Março, segundo os dados da Associação de Instituições de Crédito Especializado, uma tendência explicada pela subida do desemprego e pela queda do rendimento disponível.

"Tendo em conta a conjuntura económico financeira que atravessamos, nota-se uma retracção do consumo por parte dos particulares, o que demonstra a sua responsabilidade em matéria de recurso ao crédito", assinalou à agência Lusa o presidente da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC), António Menezes Rodrigues.

Nos primeiros três meses do ano, o crédito clássico concedido a particulares e a empresas - que representa 41 por cento do total dos montantes financiados por estas entidades em Portugal - ascendeu a 508 milhões de euros, o que corresponde a uma queda homóloga de 3,8%.

Neste tipo de crédito, 92% é concedido a particulares (crédito ao consumo) e 8% a empresas, sendo que no que toca às últimas houve um aumento de 4,9%, para um total de 41,4 milhões de euros, a que se somam os 467,5 milhões de euros emprestados às famílias.

"O rendimento disponível dos particulares começa a ficar apertado", destacou Menezes Rodrigues, lembrando que a tendência descendente já vem do ano passado, devido à crise económica mundial, que provocou um "arrefecimento forte da actividade", traduzida numa descida homóloga de 16,6 por cento da concessão de crédito especializado em 2009.

De resto, a evolução em Portugal foi semelhante à dos seus congéneres europeus, com o recuo de 18 por cento no Reino Unido, de 22% em Itália e de 30% em Espanha. Entre os principais países, só a Alemanha subiu (3%).

"Os diferentes segmentos do mercado têm comportamentos distintos", frisou o presidente da ASFAC, entidade que conta com 26 instituições associadas, explicando que "o grande volume do crédito especializado é o crédito automóvel".

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Apesar da lei do abate de carros, que melhorou os indicadores no último trimestre de 2009 e no seguinte, o responsável destacou que, "com o agravamento da carga fiscal (IRS e IVA), vai haver uma diminuição do rendimento disponível para o consumo", recordando "a função social que o crédito tem, possibilitando a antecipação de compras que sem crédito não seriam possíveis".

"Têm que se encontrar pontos de equilíbrio razoáveis entre os níveis de poupança e de consumo", considerou Menezes Rodrigues, que disse que, actualmente, "a taxa de poupança e a taxa de endividamento das famílias não são preocupantes".

A quebra na concessão de crédito ao consumo também é explicada pelas atuais condições do mercado de crédito internacional, que leva as entidades a apertarem os critérios na atribuição do crédito, até porque o elevado nível de desemprego do país também aconselha maior cautela.

"O incumprimento tem aumentado, mas não é ainda uma preocupação para as empresas do setor. Ainda é suportável, mas se se mantiver o crescimento do desemprego, isso agravará seguramente o incumprimento", alertou o responsável.

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