Indústria

Ferro de Moncorvo leva mercadorias à Linha do Douro

Ferro de Moncorvo leva mercadorias à Linha do Douro

Nova concessionária das minas vai utilizar a ferrovia para exportar minério a partir de Leixões. Fase 2 poderá incluir transporte fluvial.

A Linha do Douro vai voltar a ter transporte de mercadorias ainda neste mês. A partir das minas de Moncorvo, serão enviadas até 1400 toneladas de ferro por dia para o Porto de Leixões, com destino ao mercado europeu.

Esta é a estratégia da Aethel Mining, a nova concessionária da segunda maior jazida de ferro da Europa. A operação também é vista como mais um motivo para reabrir esta linha ferroviária até Espanha.

"Logo que estejam reparados os caminhos de acesso à área de exploração, o que deve acontecer ainda neste mês, serão deslocados para aquela área equipamentos e maquinaria e terá início a extração e transformação do minério", adianta ao JN/DV o presidente da Aethel Mining, Ricardo Santos Silva.

Nos últimos anos, a circulação de mercadorias na Linha do Douro tem sido praticamente residual, limitando-se apenas ao transporte de alguns vagões de cimento provenientes de um entreposto da Secil.

A partir das minas de Moncorvo, o ferro será transportado em camiões até à estação de comboios do Pocinho, em Foz Côa. Daí, seguirá de comboio por toda a linha do Douro, chegando ao Porto de Leixões depois de passar pela concordância de Sangemil, que assegura a ligação com a restante rede ferroviária nacional.

Quando o ferro chegar ao Porto de Leixões, o minério será posto em navios graneleiros e enviado para portos na Europa, Mediterrâneo e mesmo do Médio Oriente.

Na primeira fase, será possível transportar 1400 toneladas de ferro por dia, divididas por duas circulações de 700 toneladas cada.

Esta é a capacidade máxima naquela linha ferroviária, considerando que não há corrente elétrica entre o Marco de Canaveses e o Pocinho - até ao final de 2023, só está prevista a eletrificação do troço Marco de Canaveses e Régua.

O transporte ferroviário deverá ser assegurado pelos portugueses da Takargo, que na passada terça-feira fez vários ensaios de formação para maquinistas.

Até ao final deste ano, a Aethel Mining pretende produzir 300 mil toneladas de agregado de ferro, designado "muadense". Este minério é natural e tem o dobro do peso de outros materiais convencionais utilizados na produção de betões.

O agregado de ferro é cada vez mais procurado a nível internacional porque é necessário para a construção de molhes, quebra-mares e outras grandes estruturas devido à subida do nível do mar provocada pelas alterações climáticas.

Transporte fluvial na fase 2

Na segunda fase, prevê-se que o transporte ferroviário seja complementado pelo transporte fluvial. Segundo Ricardo Santos Silva, tudo depende das "obras de qualificação do canal navegável, sobretudo entre o Pinhão e o Pocinho", que vão permitir a circulação de navios maiores.

Essa obra custa 60 milhões de euros mas só poderá avançar com apoio europeu. "Em breve, vamos apresentar uma nova candidatura", adianta Nuno Araújo, novo presidente da APDL, que gere os portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo.

Através do rio, será possível transportar "até 2300 toneladas". No futuro, conjugando a linha do comboio e o rio Douro, serão enviadas 3700 toneladas de ferro.

FERROVIA

Subida de quota

O transporte de ferro pela linha do comboio é visto pela APDL como uma grande oportunidade para o Porto de Leixões. Atualmente, o transporte ferroviário tem uma quota de mercado de 10% naquela infraestrutura.

Reabertura possível

A reabertura da Linha do Douro, até Barca d"Alva, e até Salamanca, do lado espanhol, teria impacto em plataformas logísticas de cidades como Salamanca, Madrid, Valladolid, León, Burgos, Oviedo, segundo um estudo de 2016 da IP.

Investimento

Um eventual regresso da Linha do Douro até Salamanca implicaria um investimento total de 578 milhões de euros: 163 milhões do lado de Portugal, mais 415 milhões do lado de Espanha. Em 2018, a Comissão Europeia mostrou-se disponível para financiar estas obras.

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