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"Fisga ou bazuca" de um bilião de euros para salvar a Europa

"Fisga ou bazuca" de um bilião de euros para salvar a Europa

Conselho Europeu procura definir esta quinta-feira um valor para a recuperação, mas Portugal já viu duplicar o risco de dívida desde a chegada do coronavírus.

Os líderes dos 27 governos da União Europeia (UE) reúnem-se esta quinta-feira, de novo por videoconferência, para tentar desbloquear um acordo de valor robusto e assinalável, que convença o Mundo de que a Europa se consegue entender e está unida nesta que vai ser a pior crise desde a grande depressão dos anos 20 do século passado, pelo menos.

Ontem, no debate parlamentar de preparação para a telecimeira, o primeiro-ministro, António Costa, revelou que o plano vai ter de cair entre alguns destes números: 1 bilião de euros (um milhão de milhões, a proposta da Comissão, mas com fontes de financiamento ainda em aberto), 1,5 biliões (proposta de Espanha, que seria financiada com dívida perpétua, portanto de muito longo prazo e sem maturidade definida) ou 1,6 biliões, que é o valor das necessidades calculado pelo BCE.

O primeiro-ministro, que parece estar inclinado para apoiar a posição espanhola (de um Governo socialista) disse que agora a Europa tem de decidir se quer "uma fisga ou uma bazuca".

A definição do plano de recuperação da Europa surge num contexto tumultuoso, que já começa a inflacionar a sério a fatura dos juros, mesmo com as medidas do BCE ativas no terreno.

No caso de Portugal, por exemplo, o risco da dívida portuguesa a dez anos, medido em relação aos títulos alemães com a mesma maturidade, duplicou neste quase mês e meio de crise do vírus, dos 0,6 pontos, onde esteve durante meses, para 1,3 pontos em abril.

Taxa de juro duplica

Embora as taxas de juro ainda sejam baixas em termos históricos, Portugal já está a sentir esse agravamento do prémio de risco da dívida pública, instrumento que terá de voltar a ser a principal fonte de financiamento dos planos em perspetiva.

Esse financiamento virá certamente com condições, mas António Costa garante que não haverá austeridade.

Do início de abril até ontem, a taxa de juro média cobrada a Portugal nos mercados secundários de dívida pública (dez anos) era de 0,9%. A taxa diária apurada ontem subiu para quase 1,3%, valor que compara com os 0,2% e 0,3% estava antes da crise rebentar.

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