Economia

FMI afasta ajustamentos ao programa de ajuda a Portugal

FMI afasta ajustamentos ao programa de ajuda a Portugal

A diretora do FMI, Christine Lagarde, disse, este sábado, não identificar quaisquer razões para ajustamentos ao programa de ajuda externa a Portugal, sublinhando que as metas têm sido cumpridas.

FMI: Christine Lagarde não vê razões para ajustamentos ao programa de ajuda (ATUALIZADA)

"Não vejo razão alguma para quaisquer mudanças ao programa português", disse a diretora do FMI, numa conferência de imprensa nas reuniões de primavera da instituição financeira em Washington, questionada sobre a possibilidade de ajustamentos ao programa.

Lagarde afirmou que o programa "pertence ao país" e tem beneficiado de apoio político, tendo neste aspeto o gverno e oposição feito "um trabalho fantástico, porque se juntaram" em torno do cumprimento.

"O programa decorre conforme negociado, mas o programa é deles. Nós conduzimos avaliações regulares", adiantou.

A última revisão do programa, feita pela equipa do FMI para o país, "concluiu que o certamente programa estava a ser cumprido".

Poul Thomsen, ex-responsável pelo programa do FMI para Portugal e atual diretor adjunto do Departamento Europeu, afirmou que a instituição financeira está "pronta para trabalhar" com os "países-programa" (Portugal, Irlanda, Grécia) e "adaptar estes programas consoante circunstâncias evoluírem".

Thomsen sublinhou ainda que os programas "particularmente de Grécia e Portugal, [países] que têm problemas estruturais profundos, vão falhar se forem só de consolidação orçamental e desalavancagem financeira", disse.

O diretor do programa de ajuda do FMI para Portugal, Abebe Selassie, afirmou que a implementação portuguesa está a ser "muito encorajadora", mas que há "desafios formidáveis" em frente, sobretudo na trajetória da dívida.

Estes desafios", referiu, devem-se ao facto de a dívida ser "muito sensível ao que acontecer com o crescimento económico ou taxas juro nos próximos dois anos", adiantou.

Lagarde sublinhou que todos os membros "partilharam" da ideia de que a disciplina a nível orçamental deve ser acompanhada de reformas estruturais que estimulem o crescimento económico.

Estas reformas "também sustentam o crescimento [económico] a médio prazo e a consolidação orçamental", disse, na conferência de imprensa após a reunião do Comité Monetário e Financeiro do FMI, entidade responsável pela definição das políticas da instituição financeira.

Porque as reformas estruturais são "iniciativas de longo prazo e a ancoragem da consolidação orçamental e expetativas são também difíceis de fazer", é necessário um reforço da capitalização de instituições internacionais, tal como o FMI alcançou na sexta feira, adiantou.

Também Tharman Shanmugaratnam, presidente do FMI, sublinhou a importância da adoção de reformas, para além dos ajustamentos a nível orçamental ou fiscal, para "fazer regressar o crescimento económico e empregos" à economia global.

"Isso envolve de maneira importante, reformas estruturais, que são muito importantes para trazer confiança e investimento de volta às economias", afirmou.