Economia

Fórum para a Competitividade diz que eliminar férias aumenta produtividade

Fórum para a Competitividade diz que eliminar férias aumenta produtividade

O presidente do Fórum para a Competitividade acredita que a eventual eliminação de três dias de férias, a par do aumento dos horários e suspensão de feriados, vai incrementar a produtividade, mas critica a condução do processo.

"Numa altura em que toda a gente olha para os preços [do custo do trabalho] de uma forma diferente da que olhava, ter uma proposta de qualidade e de preço é essencial", afirmou à Lusa Pedro Ferraz da Costa.

Segundo avançou, "a maior parte das empresas que têm alguma actividade industrial ou agrícola fazem as contas dos seus custos horários para poderem perceber a que preço é que podem vender" os seus produtos.

Com o esquema actual, "uma pessoa que custe mil euros, recebe de vencimento 14 mil euros por ano e custa à empresa 8,56 euros/hora", contabilizou, explicando que o cálculo é feito a 218 dias por ano vezes sete horas e meia - "porque há pessoas que chegam atrasadas" -, o que significa que "se fizerem 1635 horas por ano já não é mau".

Com as propostas de alteração à legislação laboral, quatro feriados desaparecem, três dias de férias são suprimidos e é aumentada meia hora ao horário de trabalho, passando cada pessoa a trabalhar 1800 horas por ano.

"Com 225 dias, a 8 horas por dia, os custos horários baixam para 7,77 euros. É uma baixa de quase 10 por cento, o que é importante e tem, indiscutivelmente, efeitos quer nos custos quer em termos de organização", sublinhou Ferraz da Costa.

"O programa da competitividade externa ganha-se com percentagens relativamente pequenas. Ouço com alguma estupefacção as análises em que toda a gente diz 'mas isso é pouco, não vale a pena'. O sucesso resulta de pequenas coisas feitas de forma um pouco melhor", defendeu.

Apesar de ver com bons olhos as propostas do Governo para aumentar a produtividade, o presidente do Fórum para a Competitividade critica a forma como o processo está a ser conduzido.

"Estamos a discutir aos bocadinhos uma coisa que podia fazer parte dum plano global", referiu, adiantando que "o que era importante era dizer aos agentes económicos que condições existem em Portugal: férias é assim, folgas é assado, fixação dos vencimentos é desta maneira, despedimentos é desta maneira, se correr mal as indemnizações são estas. E isso ainda não está definido".

Uma questão que está a afectar as empresas muito directamente, afirma Pedro Ferraz da Costa.

"As empresas, neste momento, já deviam ter os orçamentos para 2012 fechados, devíamos saber quais são as nossas semanas de trabalho, como é que elas se compõem e como se organiza o trabalho e continuamos sem saber", concluiu.

O Governo vai propor hoje aos parceiros sociais a eliminação da majoração das férias em função da assiduidade por considerar que esta medida vai ajudar a promover o relançamento económico e o eficiente funcionamento do mercado de trabalho.

O Código do Trabalho prevê a majoração do normal período de férias (22 dias úteis) até um máximo de três dias em função da assiduidade.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG