Economia

Funcionários judiciais aderem para alertar para "grave situação" da Justiça

Funcionários judiciais aderem para alertar para "grave situação" da Justiça

O Sindicato dos Funcionários Judiciais aderiu à greve da Administração Pública para demonstrar insatisfação com os "ataques" aos serviços públicos e para alertar para a "grave situação" da Justiça, esperando uma participação entre 60 e 70%.

O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais disse hoje à agência Lusa que "a adesão à greve justifica-se com razões gerais e sectoriais, e exemplificou com o "ataque aos serviços públicos, a redução dos vencimentos da função pública, a retirada de direitos", além de ser "preciso chamar a atenção para a grave situação que existe na Justiça".

Aliás, para Fernando Jorge "não é por acaso" que um dos sectores que "mais preocupou" a troika que está em Portugal para negociar a ajuda externa foi a Justiça.

"Não tem havido da parte do poder político investimento na Justiça, em pessoas, em formação, em equipamentos" e, por isso, a Justiça tem "cada vez tem cada vez menos gente nos tribunais, menos capacidade de funcionar, os equipamentos informáticos estão a ficar obsoletos, tem mais legislação e mais confusa e tem mais processos" sendo "obviamente" uma Justiça cada vez mais lenta e "mais injusta e mais ineficaz", retratou o sindicalista.

Fernando Jorge realçou que todos os profissionais judiciais "sentem esta situação na pele todos os dias, mas a greve é também uma forma de luta que é penosa para o trabalhador e não é de agrado que as pessoas ficam em casa porque ficam sem vencimento".

Assim o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciários teme que "a questão económica e as necessidades financeiras que as pessoas atravessam falem mais alto do que a vontade de protestar e de materializar esse protesto na greve" e estima que a adesão fique "entre 60 e 70%, no mínimo", embora tenha expectativa que os números possam ser superiores.

Quanto aos efeitos da greve para os utentes, "é natural que algumas diligências sejam adiadas, mas isso, infelizmente, é em muitos casos o dia a dia dos tribunais", acrescentou o responsável do Sindicato que tem cerca de 6.500 sócios.

A greve nacional da função pública foi convocada pela Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública para sexta-feira.