Combustíveis

Gasóleo ficou mais caro 11 cêntimos num ano

Gasóleo ficou mais caro 11 cêntimos num ano

Queda do petróleo continua a fazer-se sentir nas bombas, sobretudo na gasolina, mas consumidor paga mais do que em novembro de 2017.

O gasóleo vai descer 1,5 cêntimos por litro a partir de segunda-feira, devendo o preço médio situar-se em 1,389 euros por litro. Será a segunda descida consecutiva, mas ainda assim estará 11 cêntimos mais caro do que a 20 de novembro de 2017. A gasolina desce também 1,5 cêntimos. Será a sexta semana seguida de baixas, colocando o preço nos 1,517 euros, mais 1,4 cêntimos do que há um ano.

No espaço de apenas um mês e meio, o preço do barril de petróleo Brent passou de um pico máximo (desde 2014), de 86,29 dólares no mercado de futuros de Londres, para um mínimo de 65,47 dólares, na semana passada. Uma desvalorização de quase 25% (mais de 20 euros) em apenas seis semanas. O impacto não é proporcional na bomba.

Transportadoras

"Por que razão desce o preço do barril, mas não desce o preço do gasóleo?", questiona a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram). E dá um exemplo: a 15 de outubro o preço do barril situava-se nos 80,91 euros, e o preço médio do gasóleo nos 1,404 euros/litro; um mês depois, a 14 de novembro, o petróleo desceu para os 65,58 euros e o diesel está mais caro, nos 1,435 euros/litro.

A verdade é que o petróleo estava cotado nos 53,51 euros há um ano (semana de 20 a 24 de novembro) e, segundo a Bloomberg, estava ontem nos 58,82 euros, ao câmbio dólar/euro de ontem.

"Apesar de estarmos perante uma descida superior a 15 euros, a realidade é que vemos mesmo uma subida no preço do gasóleo", refere a Antram. O presidente Gustavo Paulo Duarte aponta o dedo às empresas do setor petrolífero: "Era importante ver os resultados das companhias nestes momentos de queda do preço do petróleo. Sob a justificação dos impostos altos, acabam por manter os preços altos. Quando o petróleo sobe, todos acompanham, ao minuto, mas na descida justificam-se com futuros para não descer".

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António Comprido, da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas, confirma que a descida do petróleo se tem refletido mais na gasolina do que no gasóleo, mas garante que "a evolução dos preços do crude tem sempre repercussão nos preços dos combustíveis". Nunca na mesma percentagem, avisa, e pode demorar até duas semanas. Margens da refinação, carga fiscal, custos da distribuição e armazenamento, e acima de tudo a taxa de câmbio entre o euro e o dólar, entre outros fatores, explicam os preços que as pessoas pagam nas bombas. "Claro que os preços mais baixos são sempre mais agradáveis para os consumidores. Facilitam o consumo e também é bom para quem comercializa e distribui", diz António Comprido.

No início de outubro, a gasolina estava à venda acima de 1,6 euros por litro, caindo agora para 1,517 euros. Desde 16 de abril que não se via um preço tão baixo: há sete meses, rondava os 1,514 euros, de acordo com a Comissão Europeia.

Francisco Albuquerque, presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis, diz que na última década a evolução do preço do petróleo não se refletiu devidamente nos preços dos combustíveis, devido à taxa de câmbio desfavorável ao euro. Em Portugal, garante, a causa principal deste desfasamento é a enorme carga fiscal. "Os revendedores mantêm as suas margens inalteradas".

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