Consumo

Gastamos 10 mil milhões em compras para a casa

Gastamos 10 mil milhões em compras para a casa

As famílias portuguesas gastaram, no ano passado, 9,7 mil milhões de euros nas compras para casa, um aumento de 4,8% face ao ano anterior. Terá sido, tudo o indica, um valor recorde e que está assente num crescimento do consumo em todas as categorias de produtos.

Os dados são da Nielsen e mostram que, em termos de marcas, são as chamadas marcas brancas as que mais crescem: 6,4% contra os 4% das marcas de fabricantes, o que, para o diretor-geral da Centromarca, resulta, em parte, da reação do mercado à chegada da Mercadona.

"Sendo esta cadeia conhecida pelo peso dos artigos de marca própria, que é um dos seus pontos mais fortes, é natural que todas as cadeias tenham reagido à entrada de um novo operador com uma aposta muito forte nas suas marcas, fazendo grandes investimentos quer ao nível dos produtos e embalagens, quer do seu reposicionamento, com um grande trabalho de comunicação e promoção", diz Pedro Pimentel.

Uma tendência "natural" e que se deverá "continuar a fazer sentir durante algum tempo". Para quem representa as marcas de fabricantes, a questão é preocupante. "O espaço nas prateleiras não é infinito, o que significa que se as cadeias estão a alocar mais espaço às suas marcas, há menos para as restantes", argumenta.

Mas é ao nível do preço que a competição se torna mais complicada. "Sendo a escolha do consumidor muito baseada na lógica do preço, quanto maior for o diferencial, pior. E quando se estão a fazer muitas promoções em cima das marcas de distribuição, o "gap" face às marcas de fabricantes acentua-se", salienta.

Congelados e bebidas

Em termos de categorias de produtos, os congelados, as bebidas e os artigos de higiene para o lar cresceram acima da média do mercado, com aumentos que vão dos 8% aos 6%. Os produtos de mercearia e de higiene pessoal foram duas categorias que cresceram 5%, mas enquanto a primeira representa um aumento em linha com o ano anterior, no segundo caso o crescimento é de três pontos percentuais acima de 2018. Os artigos de mercearia valem 38,8% dos gastos realizados.

Abaixo da média do mercado, só os laticínios, cujas vendas cresceram 2%, um ponto percentual abaixo do ano anterior. Dado relevante, os laticínios continuam a ser a segunda categoria de produtos a pesar mais nas compras dos portugueses, mas têm vindo a perder terreno: em 2018, pesavam 18,1% no talão de compras; em 2019, ficaram-se pelos 17,6%.

Híperes a perder terreno

A perder terreno estão, também, os hipermercados, com os consumidores a darem preferência crescente ao comércio de proximidade. O retalho tradicional - que, na verdade, hoje inclui as pequenas lojas das grandes cadeias de distribuição - cresce 7,3%, bem como os grandes supermercados.

Os pequenos supermercados crescem 4,4% e os híperes apenas 1,4%. "Estes dados vêm-nos mostrar que a mudança de comportamento do consumidor, que vem do tempo da crise, ficou para ficar. Em vez de ir uma vez por mês às compras, as famílias procuram ir várias vezes, comprando menos e em supermercados mais próximos. O que é, também, uma forma de melhor gerirem os seus próprios orçamentos. E a verdade é que, ao longo dos últimos anos, os hipermercados vão pesando sempre um bocadinho menos no bolo total, e isso traduz-se no abrandamento nas aberturas de novas lojas, ao contrário dos espaços de proximidade", lembra Pedro Pimentel.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG