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Gastos com vidros partidos davam para comprar comboio novo

Gastos com vidros partidos davam para comprar comboio novo

Verba usada na reparação de vidros dava para a transportadora comprar um comboio novo.

Os vidros partidos nos comboios custaram, na última década, mais de quatro milhões de euros à CP. Estes atos de vandalismo, além de danificarem o material circulante, podem ferir passageiros, revisores e maquinistas da transportadora pública ferroviária e ainda provocar supressões de viagens. Poderia ter sido comprado um comboio novo com o montante gasto entre 2010 e o terceiro trimestre do ano passado.

Metade do dinheiro despendido (2,1 milhões) serviu para substituir os vidros, mas as despesas não ficam por aqui: a retirada dos comboios de circulação custou 1,3 milhões e o custo de mão de obra foi de 663,5 mil euros, indicou a transportadora ao JN/Dinheiro Vivo.

As linhas urbanas de Lisboa e a Linha do Norte são as mais afetadas. Na semana passada, por exemplo, um maquinista ficou ferido, quando foi atingido por uma pedra arremessada contra o vidro da frente do comboio entre as estações de Queluz/Belas e Amadora. Em junho, em Valongo, outro maquinista ficou ferido ao ser atingido por um vidro partido, enquanto conduzia uma locomotiva.

Esta situação é punida como crime de atentado à segurança de transporte por caminho de ferro, com pena de prisão entre um e oito anos. A pena é agravada para três a dez anos de cadeia, se o autor "criar perigo para a vida ou para a integridade física de outrem, ou para bens patrimoniais alheios de valor elevado", como determina no Código Penal.

2999 vidros partidos

Houve 2999 vidros partidos nos últimos 10 anos. Na frota da empresa, as automotoras elétricas para o serviço regional foram as mais afetadas, com 511 vidros danificados nas UTE 2240. Em segundo, surgem as automotoras do serviço urbano do Porto (UME 3400), com 469 vidros partidos, e os comboios da linha de Cascais (UME 3250), com 447 registos.

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A CP, ainda assim, salienta a "tendência de redução do número de atos de vandalismo registados anualmente: em 2010, eram cerca de 390; em 2019, foram 107". Para minimizar os impactos, a empresa colocou sistemas de segurança nas estações, parques de material e oficinas. Mas os sindicatos dos revisores e dos maquinistas defendem mais medidas de proteção, sobretudo junto da gestora da rede ferroviária, a IP.

"Cabe à IP uma maior fiscalização das vias férreas, sobretudo nos meios urbanos, vedando o acesso às linhas", entende António Domingues, do sindicato dos maquinistas (SMAQ). "Deveria haver uma melhor proteção lateral das vias, evitando aproximações", defende Luís Bravo, do sindicato dos revisores SFRCI.

Os grafítis são também dos atos de vandalismo que penalizam diretamente a CP. Entre 2008 e 2019, a empresa gastou 3,4 milhões de euros na limpeza de parte destes desenhos, o que daria para comprar um comboio novo.

A transportadora teria de investir, assim, mais de um milhão de euros por ano na limpeza de toda a frota e ainda gastar dois milhões na reparação de danos, como pintura, substituição de vidros e de bancos.

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