Economia

Gestor angolano Álvaro Sobrinho revela ligações à Newshold e Akoya

Gestor angolano Álvaro Sobrinho revela ligações à Newshold e Akoya

O gestor angolano Álvaro Sobrinho revelou, esta sexta-feira, ser acionista da Pineview Overseas, sociedade detentora da maioria do capital da Newshold, que se assumiu como candidata à eventual privatização da RTP.

Numa declaração publicada no jornal "Sol" e justificada com "o interesse fortemente manifestado por diversos comentadores ligados a vários órgãos de comunicação social", o gestor angolano adianta que a Pineview Overseas "é detida em partes iguais pelos cidadãos" Carlos de Oliveira Madaleno, Generosa Alves dos Santos e Silva Madaleno, Álvaro de Oliveira Madaleno Sobrinho, Sílvio Alves Madaleno e Emanuel Jorge Alves Madaleno, todos da sua esfera familiar.

A Sílvio Alves Madaleno cabe a presidência da Newshold, detentora do jornal "Sol" e de 15% da Cofina (dona do Correio da Manhã e do Jornal de Negócios) e 1,7% da Impresa.

No passado dia 14, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) havia pedido à Newshold, enquanto acionista de referência da Cofina, que divulgasse publicamente os seus acionistas diretos e indiretos.

O pedido surgiu no seguimento do comunicado da Newshold anunciando ter "disponibilidade e meios" para avançar para uma eventual privatização da RTP, caso o modelo proposto pelo Governo se revele "um negócio interessante".

Na declaração publicada no "Sol", que é também detido pela Newshold, Álvaro Sobrinho confirma ainda ser acionista da Akoya Asset Management SA, "através de uma sociedade por si detida, denominada Coltville".

Assegura, contudo, que "não pertence nem nunca pertenceu a qualquer órgão de gestão desta sociedade", que está sob investigação no âmbito do caso Monte Branco, que passa por fuga ao fisco e branqueamento de capitais.

A operação Monte Branco surgiu em maio, envolvendo o Ministério Público e a Inspeção Tributária, traduzindo-se na detenção, entre outros arguidos, de Michel Canals, antigo quadro do banco suíço UBS, e de Nicolas Figueiredo, seu sócio na Akoya Asset Management, sedeada em Genebra.

Na declaração desta sexta-feira, o gestor angolano adianta que, "face à gravidade da situação", os acionistas da Akoya solicitaram à autoridade de supervisão suíça uma "inspeção extraordinária" à sociedade cujas conclusões "confirmaram os resultados" de uma auditoria já feita um mês antes e que "atribuiu uma excelente classificação aos procedimentos e regras instituídas pela lei suíça".

Álvaro Sobrinho acrescenta ainda que, quer a legislação suíça, quer portuguesa, impedem que "os acionistas da Akoya que não pertençam aos órgãos de gestão" sejam "responsabilizados por eventuais atos lícitos ou ilícitos cometidos por membros dos seus órgãos sociais".

Adicionalmente, o gestor comunica ser também acionista maioritário da empresa suíça Signet Asset Management, em parceria com o grupo suíço Signet, e deter participações na área financeira, nomeadamente 5% do Banco Espírito Santo Angola (BESA), "a título individual".

Através de sociedades por si detidas maioritariamente, possui ainda uma participação social de cerca de 3% na sociedade Espírito Santo International, que controla a Espírito Santo Financial Group (maior acionista do BES), a qual, por sua vez, controla o Banco Privée Espírito Santo, entre outros.