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Ginásios não podem cobrar totalidade da mensalidade

Ginásios não podem cobrar totalidade da mensalidade

Os dados da Associação de Empresas de Ginásios e Academias de Portugal (AGAP) revelam quebras na frequência na ordem dos 50, 70 e mais de 90% nos dias 16, 17 e 18 de março, respetivamente.

A 19 de março, entrava em vigor o estado de emergência e todos os ginásios encerravam, mas apenas alguns suspenderam, de imediato, a cobrança da mensalidade. Outros procuraram evitá-la seduzindo os sócios com descontos nas restantes do ano. Nesse caso, diz a Deco, é necessário o consentimento do cliente, a quem nunca poderá ser cobrada a totalidade da mensalidade.

A SC Fitness, do grupo Sonae Capital, que detém as marcas Solinca, Pump e One num total de 37 clubes, assim como a espanhola VivaGym, com 44 clubes Fitness Hut, anunciaram que deixariam de cobrar qualquer valor quando fecharam os espaços. A britânica Health Invest, com 20 ginásios Holmes Place, ainda tentou convencer os sócios a não suspender a adesão com um desconto nas mensalidades até ao final do ano.

O mesmo aconteceu com os pequenos operadores, diz o presidente da AGAP, José Carlos Reis. "Em contrapartida, estão a oferecer serviços que antes não ofereciam, através das novas tecnologias, como aulas através da internet e programas de treino", acrescenta.

Rescindir e indemnizar

É uma solução legal "aceitando o consumidor ter os serviços adaptados a esta realidade", diz a Deco, que alerta ainda para outra questão: se quiser rescindir o contrato com o seu ginásio e tiver fidelização, terá de o indemnizar. Se o contrato de fidelização tiver sido feito nos moldes legais e com benefícios para o cliente, " a não prestação do serviço não acontece por incumprimento ou responsabilidade do prestador, uma vez que foi uma situação que foi decretada, relacionada com a saúde pública, e como tal não há uma situação de incumprimento", explica Ana Sofia Ferreira, coordenadora do Gabinete de Apoio ao Consumidor da Deco.

Os ginásios foram obrigados a reinventar-se perante o surto do novo coronavírus. A maioria transferiu-se para as redes sociais, onde se disponibilizam vídeos, aulas virtuais, planos de treino e de nutrição.

"Estão a tentar não perder o contacto com os seus clientes num período muito duro para a economia e particularmente para o setor, que não será prejudicado apenas por este tempo de paragem. As pessoas vão demorar meses a ganhar confiança", explica o presidente da AGAP, José Carlos Reis.

Na Internet, não faltam propostas para se manter fisicamente ativo, "fundamental nestes dias de confinamento", alerta José Soares, professor catedrático na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto: "Por razões de saúde física, mas também mental. Se há algo que estimula o humor e a boa disposição é o exercício. É decisivo que as pessoas tenham atividade. E há uma regra básica: o maior risco do que fazer é não fazer."

670 mil inscritos
Segundo dados da AGAP, existiam em Portugal 1.100 ginásios, com 688,210 clientes. A taxa de penetração de atividade física em ginásios é de 6,9%, das mais baixas na Europa.

Mais empregados
O número de pessoas empregadas está a aumentar: em 2019 eram 17 mil, mais quatro mil do que em 2017.

Mensalidade a baixar
O valor médio da mensalidade baixou entre 2018 e 2019 ligeiramente: de 39,50 euros para 37,71.

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