Economia

Governo discute exportações com os parceiros sociais

Governo discute exportações com os parceiros sociais

Depois da polémica das últimas reuniões, com o Governo a propor mudanças no lay off e nas indemnizações em caso de despedimento, ontem o tema foi a competitividade da economia e as exportações. Comércio e CGTP querem trazer apoios para o mercado interno.

Vieira da Silva regressou à Concertação Social, já não na qualidade de ministro do Trabalho, mas sim da Economia, para recordar as medidas de apoio à economia e estímulo às exportações já anunciadas, em Dezembro de 2010. Ao contrário do que tem sido hábito, nesta reunião (sob o mote "competitividade e internacionalização"), não foi apresentado qualquer documento. "O Governo fez uma apresentação mais detalhada" da resolução do Conselho de Ministros do final do ano passado e o "ponto da situação da sua concretização", disse Vieira da Silva, mostrando-se disponível para receber propostas "que possam melhorar a resolução" já aprovada pelo Governo.

Após o encontro, Arménio Carlos, da CGTP, notou que "o ministro da Economia limitou-se a repetir o que já tinha anunciado". "Não entregou nenhum documento, limitou-se a assumir o interesse em aumentar as exportações", disse. A Inter "vê com bons olhos" o aumento, mas acredita que o mercado nacional deve ser favorecido. "Há muitas necessidades internas que devem ser satisfeitas por produção interna" e não só na indústria, mas também "na agricultura e nas pescas", de forma a reduzir a dependência das importações e melhorar a balança externa do país, disse.

Estimular o mercado nacional passa também pela subida dos salários e das pensões e pela diminuição da precariedade, tudo medidas que aumentariam o consumo. "A competitividade deve ser um meio e não um fim", disse.

Também João Proença salientou que não pode haver um pacto para a competitividade e emprego se só forem debatidos temas relacionados com o trabalho. "Não estamos dispostos a discutir só a matéria do trabalho", disse o secretário-geral da UGT.

Também João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços (CCP), diz que o Executivo se centra demasiado na indústria e exportação. "É positivo o esforço do Governo para promover as exportações, mas não chega para dinamizar a economia. Não se deve subestimar o mercado interno", disse.

Nesse sentido, desafiou Vieira da Silva a olhar para o imposto sobre os combustíveis. "Pelas nossas contas, compensa andar 70 quilómetros e atestar o depósito em Espanha. Há muitas pessoas a fazê-lo. Se o Estado vir quanto deixa de ganhar em impostos, poderá concluir que compensa baixar a fiscalidade", disse. Além disso, protestou contra o aumento "estrondoso" das taxas municipais.

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Mas, mesmo seguindo a orientação do Governo de aposta nas exportações, a CCP assegura que os serviços representam cerca de um terço das vendas ao exterior e que, apesar disso, os fundos comunitários são quase só direccionados para a indústria. Não foi possível contactar a UGT nem a CIP.

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