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Governo diz que o digital precisa de "enquadramento ético"

Governo diz que o digital precisa de "enquadramento ético"

O digital veio para ficar, mas tem de servir "um propósito", sendo "necessário um enquadramento ético" para a tecnologia, defendeu o secretário de Estado para a Transição Digital, orador na Web Summit, que arrancou esta quarta-feira.

André Azevedo aproveitou ainda os poucos minutos de uma curta mesa redonda virtual, dedicada ao tema da democracia digital, para garantir que Portugal vai insistir na necessidade de "combinar as dimensões verde e digital", ambas prioridades do programa da presidência portuguesa da União Europeia, que arranca a 1 de janeiro.

"É necessário um enquadramento ético" para a inovação e a tecnologia digital, frisou, rejeitando que este seja apenas um assunto dos agentes públicos. "Temos de envolver os privados. Estamos num estado de emergência, temos de responder com todos os nossos esforços", sustentou o governante português.

"Estamos à beira de uma catástrofe", corroborou o realizador britânico Ridley Scott.

Fundador do movimento "Digital com um propósito", que pretende colocar a tecnologia ao serviço da mudança sustentável até 2030, o cineasta mostrou um pequeno vídeo em que a inovação existe para transformar o mundo para melhor, com o planeta e os cidadãos no centro.

Reconhecendo que, neste contexto de pandemia global, seria "o caos total" sem as tecnologias de comunicação que hoje existem e que nos têm permitido "manter alguma normalidade", o reputado cineasta, conhecido pelas grandes produções de ficção científica, diagnosticou: "Estamos numa zona de guerra."

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Defendendo que são necessárias "ações e palavras", o realizador reconheceu que "a realidade ultrapassa a ficção científica" e que o tempo é de crise. "Temos sido muito polidos em relação à situação em que estamos. É tempo de sermos mais fortes e duros", considerou.

Luís Neves, presidente executivo da Global Enabling Sustainability Initiative, orador na mesma mesa redonda virtual, insistiu sobretudo na urgência dos atos.

"Andamos a conversar há demasiado tempo. Precisamos de ação, mas ação com significado, que de facto altere o que está errado", sustentou.

"O digital tem de desempenhar um papel, mas o papel certo", realçou, mencionando as linhas de orientação do respeito pelos valores da democracia, da liberdade e da dignidade humana e da proteção da privacidade.

Considerada uma das maiores cimeiras tecnológicas do mundo, a Web Summit arrancou esta quarta-feira e decorre até 4 de dezembro, pela primeira vez totalmente online, esperando "um público estimado de 100 mil" pessoas.

Após duas edições realizadas em Lisboa (2016 e 2017), a Web Summit e o Governo Português anunciaram, em ​​​​​​​Outubro de 2018, uma parceria a 10 anos que permite manter a conferência na capital portuguesa até 2028.

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