Polémica

Governo perde confiança na administração da TAP

Governo perde confiança na administração da TAP

O Governo pediu a convocação de uma reunião urgente do Conselho de Administração da TAP. Em causa está a "quebra de confiança" por ter sido surpreendido com o pagamento de prémios de 1,171 milhões de euros a 180 pessoas.

O Ministério das Infraestruturas adiantou em comunicado, ao JN, que pediu esta quinta-feira, "com caráter de urgência" uma "reunião do Conselho de Administração, para esclarecimento de todo o processo e para análise do dever de informação a que estão obrigados nos termos do acordo parassocial e nos termos da legislação em vigor".

Referiu ainda o Ministério, liderado por Pedro Nuno Santos, que "discorda da política de atribuição de prémios, num ano de prejuízos, a um grupo restrito de trabalhadores e sem ter sido dado conhecimento prévio ao Conselho de Administração da TAP da atribuição dos prémios e dos critérios subjacentes a essa atribuição, não se revendo na conduta da Comissão Executiva que agiu em desrespeito dos deveres de colaboração institucional que lhe são conferidos".

"O Governo e os representantes do Estado no Conselho de Administração da TAP tomaram conhecimento desta decisão, já consumada com o processamento dos salários referentes ao mês de maio, pelos órgãos de comunicação social", apontou. Daí que, saliente, "este procedimento por parte da Comissão Executiva da TAP constitui uma quebra da relação de confiança entre a Comissão Executiva e o maior acionista da TAP, o Estado português".

Apesar do prejuízo de 118 milhões de euros, em 2018, a TAP pagou junto com os salários de maio prémios de 1,171 milhões de euros a 180 pessoas. Duas delas, quadros superiores, receberam montantes acima dos 110 mil euros atribuídos.

A decisão partiu da Comissão Executiva da TAP, presidida Antonoaldo Neves, que não terá informado o conselho de administração da transportadora, onde o Estado tem seis representantes.