Reestruturação

Governo quer cortar salários da TAP em 25% a partir de 850 ou 900 euros

Governo quer cortar salários da TAP em 25% a partir de 850 ou 900 euros

Limite a partir do qual o corte se aplica está a ser negociado com sindicatos. PS e PSD descartam votação do plano de reestruturação no Parlamento.

O Governo quer cortar os salários da TAP em 25% e acabar 2021 com menos dois mil trabalhadores, por acordo voluntário ou despedimento. O objetivo é reduzir a despesa com pessoal em 250 a 300 milhões de euros em 2021, ano em que a companhia aérea receberá mais 970 milhões de euros, em cima dos 1,2 mil milhões já injetados, prevê o plano de reestruturação apresentado aos partidos e que será entregue hoje a Bruxelas.

A fasquia a partir da qual os salários serão cortados poderá chegar a 850 ou 900 euros, apurou o JN. O corte de 25% aplica-se ao valor que exceda a fasquia. Por exemplo, se o limite for 850 euros, quem tiver um salário de 950 terá um corte sobre cem euros. Esta é uma das medidas com que o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, quer baixar a despesa com pessoal em 250 a 300 milhões.

Outra é a saída de dois mil trabalhadores, entre pilotos, pessoal de cabina e de terra. No ano passado, a TAP SA (excluindo empresas do grupo TAP SGPS, como a Manutenção e Engenharia Brasil) empregava 9006 pessoas, diz José Sousa, do sindicato Sitava. Este ano, sairão 1500 pessoas, entre precários e temporários. Juntando aos dois mil previstos para 2021, o corte será de 40%. "O plano de reestruturação é um gigantesco exercício de hipocrisia", diz o sindicalista: "Os problemas financeiros do grupo são causados pela empresa do Brasil, mas são os trabalhadores da TAP SA quem vai pagar o passivo".

Além do corte na despesa com trabalhadores e da suspensão do acordo de empresa, a TAP vai continuar a reduzir o número de aviões. No próximo ano, deverá ficar com 88 aeronaves. O objetivo é diminuir o leasing operacional, que tem pesado na nova dívida da TAP. Em consequência, a transportadora vai operar menos rotas, em Lisboa e no Porto, e, nas que restarem, terá menos voos semanais.

PS afasta retificativo

"Defender uma TAP pequenina não é garantir o futuro da TAP". Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE, recusa que sejam os trabalhadores a suportar o custo da reestruturação, mas disse esperar que, ao longo das negociações com a Comissão Europeia, "haja uma revisão positiva" dos cortes.

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Da parte do PCP, o deputado Bruno Dias saiu da reunião com o Governo a recusar que a companhia seja estruturada "contra os trabalhadores" e lamentou que a Comissão Europeia tenha "uma espécie de direito de veto" sobre as ajudas de Estado a empresas.

Polémica foi a garantia do deputado centrista João Gonçalves Pereira de que a injeção adicional de 470 milhões de euros prevista para 2021, além dos 500 milhões já inscritos no Orçamento do Estado, obrigará a um retificativo.

Ana Catarina Mendes desmente. A líder da bancada socialista garantiu que o OE 2021 dá margem suficiente ao Governo para prestar a garantia à TAP. E juntou-se ao PSD para afastar a ideia de que o plano de reestruturação seja levado a votação no Parlamento.

Rui Rio escreveu nas redes sociais que a votação seria "uma clara fuga do Governo às suas responsabilidades" e abriria "um precedente muito grave".

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