Covid-19

"Grande desilusão" nas medidas de apoio ao comércio e serviços

"Grande desilusão" nas medidas de apoio ao comércio e serviços

Confederação do Comércio e Serviços considera "preocupante" a situação das empresas e teme que "dezenas de milhares" de pessoas engrossem o desemprego em janeiro.

"Todos os que têm portas abertas para a rua têm atualmente quebras elevadas com as restrições à circulação. O Natal é o pico de atividade para alguns setores e a situação é preocupante", comentou João Vieira Lopes, em reação às restrições anunciadas este sábado pelo primeiro-ministro.

Para o presidente da Confederação do Comércio e Serviço (CCP), as medidas de apoio às empresas foram "uma grande desilusão: a maioria já estava em vigor, embora não estejam na prática a funcionar, porque demoram tanto tempo que não têm efeito". Mas, "pela primeira vez, o Governo admitiu que vai intervir nas rendas comerciais", uma proposta da CCP desde o primeiro confinamento.

"Sugerimos que haja um desconto fiscal ao senhorio, na taxa liberatória de 28%, se ele fizer desconto nas rendas ou mesmo perdão", explicou João Vieira Lopes, ao JN.

A CCP tem outras propostas de apoio ao comércio e serviços, como um regime especial de pagamentos das retenções na fonte do IRS e das contribuições à Segurança Social, em 12 prestações e sem vencimento de juros ou apresentação de garantia. E refere que "não são só as micro e pequenas empresas que precisam de apoio, portanto deveriam ser incluídas também as médias empresas".

João Vieira Lopes aguarda com expectativa a comunicação do ministro da Economia, durante esta semana, para explicar concretamente as novas medidas de apoio. "Seja o que for, que entre em vigor rapidamente ou, até janeiro, uma em cada cinco empresas do comércio e serviços vai encerrar", avisou o representante dos empresários. Estão em causa "dezenas de milhares de postos de trabalho", tendo em conta que o total do emprego em comércio é de 700 mil pessoas, das quais só 150 mil nas Grandes Superfícies.

"E há outro efeito preocupante: os que não encerrarem de vez, vão reduzir o quadro de pessoal. Mesmo que venha a vacina no primeiro trimestre do próximo ano, vai demorar a fazer efeito no combate à pandemia e mais ainda na retoma da economia. O comércio já está a ver que 2021 vai ser outro ano "sem rede" e estou muito preocupado", resumiu o presidente da CCP.

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