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Guerra dos spreads: já há dois bancos a cobrar apenas 1%

Guerra dos spreads: já há dois bancos a cobrar apenas 1%

Mais crédito e mais barato. Nos primeiros seis meses deste ano, a banca emprestou às famílias 4,9 mil milhões de euros para a compra de casa, qualquer coisa como 27,2 milhões de euros por dia. É o valor mais elevado desde a primeira metade de 2010, apesar dos "travões" à concessão de crédito a particulares criados pelo Banco de Portugal.

E as instituições financeiras não só têm aberto os cordões à bolsa como também têm vindo a esmagar as margens de lucro, já pressionadas pelas taxas de juro negativas e pela concorrência, para ganhar clientes e negócio. Desde o início do ano, quase todos os bancos baixaram o spread mínimo. O último foi o Santander, que este mês anunciou um spread mínimo de 1% para determinados clientes. Junta-se ao Bakinter, que era, até agora, o único banco a oferecer um spread de 1%.

"Esta descida tem vindo a acontecer de forma gradual, em linha com o que se passa noutros países da Europa, reflexo da política de compra de dívida e de taxas de juro zero do Banco Central Europeu", refere João Fernandes, economista da Deco - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor. "Obviamente, acaba por ser vantajoso para o consumidor. Contudo, esta avidez pela necessidade de comercializar crédito deverá ser sempre acompanhada por uma política de concessão de crédito responsável", alerta.

No relatório de estabilidade, o Banco de Portugal avisa que "é importante que as instituições tenham particular cuidado na definição dos critérios de concessão de crédito", uma vez que "continua a existir evidência de sobrevalorização no mercado imobiliário residencial desde a segunda metade de 2017". O supervisor alerta que "a tentativa de aumentar o volume de crédito através da fixação de spreads de taxa de juro que não cubram o risco de crédito de maneira sustentável poderá resultar num maior nível de incumprimento".

saldos nos spreads

A plataforma ComparaJá.pt analisou, a pedido do JN/Dinheiro Vivo, a evolução das ofertas das diferentes instituições para aquisição de habitação própria e permanente. Todos os bancos reduziram o spread mínimo nos últimos meses. Além do Santander, desde maio, reduziram também as suas margens comerciais o Millenium bcp e o BPI. O primeiro passou de um spread mínimo de 1,25% para 1,1% e o segundo de 1,25% para 1,2%. No top 5 dos spreads mais baixos estão o Bakinter, Santander, Banco CTT, Crédito Agrícola e Millenium bcp, com margens a variar entre 1% e 1,1%.

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"Para o consumidor, quanto menor for a taxa de juro, seja pela redução da Euribor, seja pela redução do spread, menos encargos com o crédito terá de suportar. Tudo acaba por gerar uma maior folga no orçamento mensal das famílias, o que é positivo", salienta João Fernandes. "O reverso da medalha são as taxas praticadas em produtos de poupança que, com taxas de mercado tão reduzidas, acabam por ter uma remuneração igualmente muito reduzida (ou nula, em muitos casos)", como acontece com os depósitos a prazo ou planos de poupança reforma.

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