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Há créditos perigosos? Até que valor posso pagar? Seis perguntas sobre o crédito bancário

Há créditos perigosos? Até que valor posso pagar? Seis perguntas sobre o crédito bancário

Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da Deco, responde a seis perguntas sobre créditos bancários.

O que devo fazer antes de pedir um crédito?

Antes de acrescentar prestações ao orçamento familiar, deve sentar-se com toda a família e fazer uma análise do dinheiro que ganham e do dinheiro que gastam - e em quê. Sem um orçamento familiar e sem noção das despesas, não deve contrair créditos novos que pode não conseguir pagar. "Não saber onde se gasta o dinheiro é meio caminho andado para o endividamento", alerta Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da Deco.

Como calculo a minha capacidade financeira?

Após orçamentação, poderá perceber o peso das prestações que já paga e o peso de um novo crédito. O total de prestações não deverá exceder 35% do orçamento. "Se tem mil euros mensais de rendimentos, as prestações de créditos não devem exceder 350€", exemplifica a jurista da Deco.

Como consigo diminuir o peso das prestações?

Olhando para o orçamento mensal, conseguirá perceber por onde "foge" o dinheiro e em que rubricas poderá cortar. Pode renegociar contratos de serviços de telecomunicações, de seguros e bancários. Se vir que não consegue mesmo pagar prestações, não peça novos créditos - peça ao banco para renegociar a dívida.

Juntar todos os créditos é boa ideia?

Pode ser boa ideia juntar créditos soltos, antigos, possivelmente com taxas de juro mais elevadas, num crédito único com taxas mais baixas (consolidado). Mas é preciso disciplina para que o alívio orçamental que irá conseguir obter não seja um incentivo ao consumo desregrado, gerando novas dívidas, até esgotar a folga.

Há créditos mais "perigosos" do que outros?

A facilidade com que consegue obter o crédito deve ser um indicador de cautela. Os créditos concedidos pelos bancos (pessoal, hipotecário) obedecem a regras mais apertadas do que, por exemplo, as dos cartões de crédito, que têm taxas mais elevadas e que não são considerados na análise de responsabilidades de crédito. Isso quer dizer que é fácil obter, é caro para pagar e há o risco de ultrapassar a capacidade de endividamento sem ser alertado por nenhuma entidade.

Pedir créditos é mau? Devemos, antes, poupar?

Pedir créditos não é necessariamente mau, desde que haja responsabilidade. De outra forma, a maioria dos portugueses não conseguiria comprar casa, por exemplo. O hábito de poupar não deve ficar de lado mesmo que tenha muitos créditos a decorrer. Nem que sejam os 20€ mensais do café que toma todos os dias e que decide poupar. "Interessa é ganhar o hábito e, depois, pode até conseguir aumentar a poupança", sugere Natália Nunes.

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