Economia

Hoteis pessimistas e restaurantes à beira da catástrofe no verão

Hoteis pessimistas e restaurantes à beira da catástrofe no verão

Os setores da restauração e da hotelaria estão a prever um mau período de verão, com as associações do setor a esperarem uma significativa baixa nos negócios e que os turistas consumam muito menos que o habitual.

"Estamos muito pessimistas. Tanto na restauração, como na hotelaria, não auguramos nada de bom", disse à agência Lusa o secretário-geral da Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), José Manuel Esteves.

Segundo este responsável, no caso dos hotéis, a ocupação agendada para o verão é semelhante à do ano passado, mas com receitas muito inferiores.

"A queda das receitas está a acontecer de forma transversal. Poderá haver ocupações, mas é um tipo de estimativa que na hotelaria perdeu relevância, porque o que conta são as receitas e estamos obrigados a vender muito mais barato os alojamentos", sustentou.

Quanto à restauração, o caso é "pior que pessimista, é uma catástrofe", disse José Manuel Esteves.

"O IVA não nos permite qualquer espaço de manobra. Estimamos que nos grandes centros urbanos, já este verão, fechem estabelecimentos de referência e que no final do verão, nas zonas turísticas também fechem estabelecimentos que nunca se pensou que fechassem", alertou.

Neste contexto, a AHRESP já propôs ao Governo um "pacto de emprego", com a associação a comprometer-se a suster cerca de 30 mil despedimentos previstos no setor até ao final do ano, em troca da reposição dos 13% do IVA.

"Se aceitarem o nosso desafio, do pacto do emprego, e repuserem o valor do IVA a 13%, o Estado recupera cerca de 354 milhões de euros, um valor superior à receita que o Ministério das Finanças alega que está a receber com o aumento da taxa do IVA", sustentou o secretário-geral da AHRESP.

Baixar a taxa do IVA seria "um balão de oxigénio" para muitos estabelecimentos que, caso contrário, irão mesmo fechar portas.

"Se se mantiver a taxa do IVA a 23%, no início do ano que vem os melhores estabelecimentos estarão encerrados", avisou José Manuel Esteves.

Outra das preocupações já para este verão está relacionada com a capacidade de fazer face à procura, uma vez que muitos estabelecimentos estão a despedir pessoal.

"Sabemos que a clientela que nos procura, com menos poder de compra, também tem menos expectativas no serviço que damos, mas temos de continuar a manter a nossa galinha dos ovos de ouro, que é o Turismo. Para este verão, estamos muito céticos com o tipo de clientela que vamos ter nos nossos estabelecimentos e com os resultados que as nossas empresas vão apresentar", concluiu.

O caso não é diferente para os associados da Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT), com o seu presidente, Rodrigo Pinto de Barros, a depositar alguma esperança no turismo internacional.

"Sabemos que os portugueses não têm dinheiro e, portanto, esperemos que sejam os que vêm de fora a consumir mais", afirmou.

Também para a APHORT, a restauração vive dias "mais complicados", embora os hotéis tenham tido de baixar os preços para garantir ocupação.

"Vamos ter gente, vai ser uma lufada de ar fresco para o setor da hotelaria e pode ser que se consiga recuperar em comparação ao que foi o primeiro trimestre, mas as receitas vão diminuir muito, porque estão a ser praticados preços muito baixos", concluiu.