O Jogo ao Vivo

Economia

Indicadores do desemprego são "aflitivos" e de "gravidade extrema"

Indicadores do desemprego são "aflitivos" e de "gravidade extrema"

O economista João Ferreira do Amaral e o antigo ministro das Finanças José Silva Lopes avaliaram esta sexta-feira os recentes indicadores do desemprego em Portugal como "aflitivos" e de "uma gravidade extrema".

Os dois responsáveis falavam à margem da conferência "Sim ou não ao Tratado Intergovernamental?", realizada esta sexta-feira na Faculdade de Direito de Lisboa.

Para Ferreira do Amaral, os níveis de desemprego alcançados em Portugal são de "uma gravidade extrema", acreditando que durante 2012 irão aumentar.

"Evidentemente quando há uma recessão, o desemprego aumenta, não só porque não se criam novos postos de trabalho, porque se perdem muitos. Este ano vai aumentar mais, porque a recessão vai ser mais profunda", afirmou o economista, em declarações aos jornalistas.

O professor catedrático destacou especialmente o desemprego ao nível dos mais jovens. "É condenar toda uma geração a não ter perspetivas de futuro", sublinhou.

A taxa de desemprego disparou no quarto trimestre para os 14%, face aos 12,4% observados no trimestre anterior, com o número de desempregados a ultrapassar os 770 mil, divulgou na quinta-feira o INE.

De acordo com os mesmos valores, a taxa de desemprego dos 15 aos 24 anos atingia os 35,4% no final de 2011.

PUB

O também economista e ex-ministro das Finanças Silva Lopes também acredita que o desemprego irá aumentar. "É aflitivo e tenderá a crescer. A Grécia já vai em 20%", disse o economista, recordando as dificuldades sentidas pelo Estado helénico para ultrapassar as medidas impostas pela 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional).

"Sou a favor da disciplina orçamental e de ajustamento, e um país como o nosso não pode escapar a estas medidas, mas (...) há limites para tudo e esses limites no caso da Grécia não estão a ser observados e no caso de Portugal, por enquanto talvez ainda, mas não tenho a certeza que não venhamos a precisar de apoios complementares para que isso não suceda. Se entramos no caminho da Grécia, é a destruição do país", referiu Silva Lopes.

Sobre a terceira avaliação da 'troika' ao programa de ajuda a Portugal, a decorrer, e a atribuição de uma nova tranche, João Ferreira do Amaral acredita que Portugal irá cumprir os objectivos e assegurar o financiamento, mas defende que o Estado português devia começar a negociar a flexibilidade do programa.

"Portugal deve cumprir os objectivos da 'troika', justamente para assegurar o financiamento, mas ao mesmo tempo, na medida em que esse cumprimento seja visível, deve também começar a negociar uma flexibilização de prazos e de intensidade", concluiu.

Silva Lopes também espera que avaliação da 'troika' decorra de forma positiva, "sem surpresas", recordando o caso da Madeira.

Sobre as futuras avaliações, o antigo ministro mostrou-se mais apreensivo. "Estou para ver o acontece nas outras a seguir", disse ainda aos jornalistas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG