EUA

Apple desvalorizou 10% na pior sessão em seis anos

Apple desvalorizou 10% na pior sessão em seis anos

A bolsa nova-iorquina fechou em forte baixa na quinta-feira, arrastada pela Apple que viveu a pior sessão em seis anos.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o seletivo Dow Jones Industrial Average perdeu 2,83%, para os 22.686,22 pontos.

O tecnológico Nasdaq recuou 3,04%, para as 6.463,50 unidades, e o alargado S&P500 desvalorizou 2,48%, para as 2.447,89.

A Apple viu na quinta-feira a sua cotação contraída em 10%, perdendo mais de 74 mil milhões de dólares (65 mil milhões de euros) da capitalização bolsista.

A empresa reconheceu na quarta-feira, depois do fecho do mercado, que o seu volume de negócios e as suas vendas do iPhone tinham sido piores do que previsto no último trimestre de 2018, correspondente ao primeiro trimestre do seu exercício anual.

De imediato, a empresa foi sancionada pelos investidores que quinta-feira provocaram uma queda da sua cotação em 9,96%, na que foi a sua pior sessão desde janeiro de 2013, com o título a evoluir no nível mais baixo desde há seis meses, tende já perdido cerca de 40% desde o início de outubro.

"Em termos de calendário, esta era a última coisa que os investidores precisavam de saber, depois das diferentes notícias angustiantes que se têm sucedido nos dois últimos meses", afirmou Nate Thooft, da Manulife AM.

Depois de ter sido a primeira empresa privada a superar o limiar do bilião (milhão de milhões) de dólares em capitalização bolsista, no último verão, a Apple já perdeu um terço deste valor desde então, dos quais quase 75 mil milhões na quinta-feira.

Agora, vale menos do que a Microsoft, a Amazon e a Alphabet, a casa-mãe da Google.

Mas no dia de quinta-feira, o conjunto do setor tecnológico foi fragilizado pelo anúncio da Apple, com a Alphabet a perder 2,85%, a Amazon 2,52% e a Facebook 2,90%. Os fabricantes de componentes eletrónicos, como a Qualcomm, que recuou 2,96%, ou a Nvidia, que desvalorizou 6,04%, também foram afetados, à semelhança da Boeing (-3,99%) e Caterpillar (-3,85%), muito sensíveis ao desempenho da economia chinesa.

"Aproximamo-nos da época de resultados. O facto de a Apple, uma das maiores empresas do mundo, rever em baixa as suas previsões, significa que as outras também vão ser obrigadas a fazê-lo", afirmou Adam Sarhan, da 50 Park Investment.

Muito dependente das suas vendas de iPhone, a empresa baseada em Cupertino, no Estado da Califórnia, é agora objeto de numerosas interrogações sobre a sua estratégia, consistente em vender os seus emblemáticos telefones a preços cada vez mais caros.

A notícia provocou a queda das praças bolsistas internacionais, da Ásia à Europa, com os investidores a privilegiarem ativos considerados menos arriscados como o iene ou o ouro.

Para piorar a situação, a atividade no setor industrial norte-americano progrediu menos do que previsto em dezembro, dececionando as expectativas dos analistas e acelerando a queda dos índices desde o início da sessão.

"As duas informações alimentam a ansiedade dos investidores quanto a uma perda de velocidade do crescimento da economia internacional", afirmou Thooft.

À semelhança do iene e do ouro, também o mercado obrigacionista norte-americano, considerado seguro, era procurado pelos investidores.

ver mais vídeos