Automóveis

Banca perdoa 116 milhões e empresário vende SIVA à Porsche por um euro

Banca perdoa 116 milhões e empresário vende SIVA à Porsche por um euro

A Porsche comprou, por um euro, a SIVA, a principal empresa do grupo SAG, que em Portugal representa, entre outras, a Volkswagen. Banca aceitou perdoar 116 milhões de euros.

A SIVA, que comercializa as marcas Volkswagen, Audi e Skoda, passa a ser integralmente detida pela Porsche Holding Salzburg (PHS), sociedade pertencente ao Grupo VW, um processo que deverá estar concluído este ano, anunciou a SAG ao mercado, na terça-feira à noite. O negócio foi feito pelo valor simbólico de um euro, mas com ajuda da Banca.

Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a SAG, liderada por João Pereira Coutinho, informa que "chegou a acordo com a Porsche Holdings (sociedade pertencente ao Grupo VW) e as instituições financeiras que participam nos financiamentos e garantias do Grupo SAG" para a venda da SIVA.

Segundo o documento enviado à CMVM, a Banca perdoa 116 milhões de euros a João Pereira Coutinho, no âmbito deste negócio: na SAG o perdão é de 16 milhões (10 milhões do BCP, 5,3 do Novo Banco e 466 mil do BPI); para a SIVA está previsto um perdão bancário de 100 milhões de euros, que poderá aumentar se for necessário para a empresa ficar com património positivo.

O acordo com a SIVA envolve BCP, Novo Banco, BPI e Caixa Geral de Depósitos, aos quais a empresa deve cerca de 147 milhões de euros. Estes quatro bancos aceitarem perdoar 100 milhões de euros no imediato.

Ainda segundo mesmo documento, o acordo prevê a anulação de créditos da SAG no valor de 253 milhões de euros, não sendo claro se há, também aqui, dinheiro da Banca ou se são apenas créditos dos acionistas sobre a SAG e respetivas subsidiárias.

Além do perdão da dívida, os "Bancos assegurarão até 31 de dezembro de 2019 garantias bancárias para garantir a importação de viaturas e peças pela SIVA", lê-se no documento.

Porsche assume gestão da SIVA até ao fim do ano

A construtora automóvel alemã Porsche anunciou, entretanto, que pretende assumir a gestão da Sociedade de Importação de Veículos Automóveis (SIVA) no quarto trimestre deste ano, depois do anúncio do acordo para garantir a continuidade das operações em Portugal.

"No seguimento da reestruturação, sujeita a escrutínio judicial e aprovação das autoridades da concorrência da UE, a Porsche Holding Salzburg (PHS) pretende assumir a responsabilidade da gestão operacional e comercial em Portugal no quarto trimestre de 2019", lê-se num comunicado enviado às redações, no seguimento do acordo anunciado na terça-feira à noite.

"Estamos muito satisfeitos com mais este importante desenvolvimento para a nossa empresa. A médio prazo, Portugal irá ser uma das nossas maiores operações de importação com cerca de 30 mil novos veículos por ano, e será um complemento ideal para as nossas atividades na região da Europa Ocidental", disse o CEO do Conselho de Administração da PHS, Hans Peter Schützinger, citado no comunicado.

No final de abril, a Porsche assinou acordos com a SIVA, subsidiária do principal grupo automóvel português SAG-SGPS SA, para adquirir o negócio de importação da Volkswagen, Volkswagen Veículos Comerciais, Audi, SKODA, Bentley e Lamborghini, e a rede de retalho detida pelo importador e composta por 11 concessionários em Lisboa e no Porto será adquirida pela PHS, acrescenta-se no comunicado.

"Estamos muito satisfeitos com o acordo estabelecido com a PHS; a perspetiva da nossa entrada para o maior grupo de distribuição automóvel europeu permite-nos encarar com grande otimismo o futuro da nossa organização e das marcas que representamos", comentou o administrador executivo da SIVA, Pedro de Almeida, numa declaração enviada à Lusa.

A SAG fechou 2018 com um prejuízo de 176,9 milhões de euros

Em 2018, o volume de vendas das marcas distribuídas pela SIVA foi de 20.349 veículos, uma queda de 32,6% face às 30.171 unidades em 2017. Correspondeu a uma quota de 8,4% no mercado de veículos ligeiros de passageiros, abaixo dos 12,8% em 2017, e de 7,6% no mercado de veículos ligeiros (veículos de passageiros e comercias ligeiros), que compara com a quota de mercado de 11,6% do ano anterior.

No comunicado ao mercado, a SAG explica que como resposta à situação em que o grupo SAG se encontra, a administração ajustou os planos de compras com as diversas marcas do Grupo VW, "reduzindo o volume de encomendas e solicitando a redução dos prazos de recebimento dos apoios comerciais das marcas".

A SAG fechou 2018 com um prejuízo de 176,9 milhões de euros e capitais próprios negativos em 169,2 milhões de euros.

No final de dezembro, a dívida líquida consolidada do grupo era 129,1 milhões de euros, mais quatro milhões de euros do que no final do ano anterior.

Na terça-feira à noite, o empresário João Pereira Coutinho anunciou a intenção de lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a SAG GEST - Soluções Automóveis Globais, que lidera, pagando uma contrapartida de 0,0615 euros.

Segundo o comunicado divulgado, o objetivo do oferente é o de "assegurar às subsidiárias da sociedade visada a continuidade da sua atividade por outra via e permitir aos acionistas venderem as suas participações na sociedade visada dado que esta deixará de operar no negócio do ramo automóvel -- isto é, na principal atividade que desenvolveu desde a sua constituição".

A intenção é "encontrar uma solução financeira para as empresas que permita garantir a continuação da atividade das subsidiárias operacionais e, mais importante, a manutenção dos mais de 650 postos de trabalho diretos", refere.