PIB

Banco de Portugal revê em alta o crescimento da economia em 2017

Banco de Portugal revê em alta o crescimento da economia em 2017

O Banco de Portugal (BdP) reviu esta quarta-feira em alta a previsão de crescimento económico para este ano e para os próximos dois, estimando agora que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,8% em 2017.

Nas projeções para a economia portuguesa 2017-2019 divulgadas hoje, o banco central mostra-se agora mais otimista quanto ao crescimento económico nesses três anos, mas sobretudo em 2017, tendo melhorado a previsão em 0,4 pontos percentuais face às estimativas de dezembro (1,4%).

Esta estimativa do Banco de Portugal fica acima da previsão de 1,5% inscrita no Orçamento do Estado para 2017 (OE2017), mas o ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu hoje, num evento realizado pela agência Bloomberg, em Londres, rever a estimativa para "qualquer coisa próxima de 2%" no Programa de Estabilidade, que deverá ser remetido a Bruxelas até ao final de abril.

O banco central melhorou também as estimativas para os dois próximos anos, prevendo agora que a economia cresça 1,7% em 2018 e 1,6% em 2019, uma revisão em alta em 0,2 e 0,1 pontos percentuais para cada um dos anos, respetivamente.

No entanto, a instituição liderada por Carlos Costa considera que o "ritmo de crescimento é inferior ao necessário para o reinício do processo de convergência real face à área do euro".

E assinala: "No final do horizonte de projeção, o PIB situa-se num nível próximo do registado em 2008".

Segundo o BdP, "a evolução ao longo do horizonte da projeção está sustentada num crescimento forte das exportações -- refletindo um enquadramento económico e financeiro externo favorável e a manutenção de ganhos de quota de mercado -- e numa recomposição da procura interna, no sentido de um maior dinamismo na formação brutal de capital fixo (FBCF).

O banco central sublinha que o comportamento das exportações, tanto de bens como de serviços, "tem sido um dos aspetos mais assinaláveis do processo de ajustamento da economia portuguesa, propiciando uma marca de reorientação de recursos produtivos para setores mais expostos à concorrência internacional".

O Banco de Portugal estima que, em 2019 e em termos reais, a economia portuguesa exporte mais 60% do que exportava em 2008.

No período 2017-2019, a instituição estima que o contributo das exportações para o crescimento do PIB "manter-se-á superior ao contributo da procura interna", o que significa que a economia portuguesa deverá manter, nestes três anos, "uma capacidade de financiamento face ao exterior, o que, para o BdP, constitui "uma característica muito importante do processo de recuperação em curso".

O banco central prevê que o excedente da balança de bens e serviços diminua de 2,2% do PIB em 2016 para 1,4% em 2017 e para 1,3% em 2018, recuperando ligeiramente em 2019 para 1,4% do PIB.

O BdP estima também uma taxa de inflação de 1,6% em 2017, 1,5% em 2018 e 1,5% em 2019.

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