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BCP sobe lucros em 79,7% para 153,8 milhões de euros no 1.º trimestre

BCP sobe lucros em 79,7% para 153,8 milhões de euros no 1.º trimestre

O BCP teve lucros consolidados de 153,8 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 79,7% face aos mesmos três meses de 2018, divulgou aquele banco.

Apenas em Portugal, os lucros foram de 94,3 milhões de euros, mais do dobro na comparação homóloga.

Em termos consolidados (que incluem as operações em Portugal, Polónia, Moçambique e Angola), o produto bancário avançou 11,1% para 597,7 milhões de euros, com a margem financeira a crescer 5,2% para 362,7 milhões de euros, enquanto as comissões desceram 0,7% para 166,6 milhões de euros.

A queda das comissões deveu-se às operações internacionais, uma vez que em Portugal cresceram 1,7% para 114,9 milhões de euros.

Em outros proveitos o banco conseguiu 68,3 milhões de euros, mais 171,4% do que no primeiro trimestre de 2018, o que o presidente do banco, Miguel Maya, justificou na conferência de imprensa de apresentação de resultados, em Lisboa, com ganhos em dívida pública e corporativa.

Do lado dos gastos, os custos recorrentes subiram 4,5% para 253,5 milhões de euros e os custos de reestruturação relacionados com trabalhadores avançaram 73,8% para 6,0 milhões de euros.

Já as imparidades e provisões desceram 20% para 103,9 milhões de euros.

Quanto ao balanço, o crédito a clientes (líquido) subiu 2,2% em termos homólogos para 48561 milhões de euros.

Já em Portugal, o crédito a clientes (bruto) desceu 1,8% para 37317 milhões de euros, o que o banco diz que resulta da redução do crédito malparado.

O banco destaca que entre março de 2018 e março de 2019 os ativos problemáticos (NPE - "non performing exposures", na expressão técnica em inglês, que inclui sobretudo crédito malparado) desceram 1,9 mil milhões de euros para 5178 milhões de euros.

Já os depósitos subiram 6,4% para 55758 milhões de euros.

A carteira de títulos do BCP era de 17397 milhões de euros em final de março, mais 3.800 milhões de euros do que os 13.524 milhões de euros de março de 2018, o que o banco diz refletir "essencialmente o reforço das carteiras de dívida soberana em Portugal e na operação na Polónia".

Na apresentação dos resultados, Miguel Maya explicou, sobre o crescimento da carteira de dívida pública, que o banco está a aplicar nestes títulos devido ao facto de conseguir captar muitos recursos de clientes.

Sobre os imóveis que o BCP tem em balanço, o administrador Miguel Bragança afirmou que no primeiro trimestre foram vendidos mais de 1.000 imóveis por 150 milhões de euros, o que permitiu obter mais-valias.

Miguel Maya foi questionado sobre o empresário Joe Berardo, que tem dívidas elevadas ao BCP e que na sexta-feira irá depor na comissão parlamentar de inquérito à CGD, mas não quis fazer qualquer comentário, referindo apenas que o banco procura sempre recuperar créditos por via negocial e só quando assim não é possível avança para tribunal.

Em abril, Caixa Geral de Depósitos, BCP e Novo Banco puseram em tribunal um processo coletivo para executar bens de Joe Berardo, por incumprimento de créditos, o que poderá determinar que as obras de arte atualmente expostas ao público, no CCB, em Lisboa, possam ir parar aos bancos.

Ainda nos primeiros três meses do ano, as operações internacionais (Polónia, Moçambique e Angola) contribuíram com 46,1 milhões de euros para o lucro do grupo consolidado do BCP, mais 12,1% face aos primeiros três meses de 2018.

Na apresentação de resultados, o presidente do BCP destacou o resultado "muito positivo" da Polónia, onde o BCP tem o Bank Millennium e onde espera que este mês concretize a compra do Eurobank.

Segundo Miguel Maya, não é intenção do BCP fazer mais compras no mercado polaco e espera crescimento orgânico num mercado que considerou estar com boas condições para o investimento.