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Emigrantes lesados

BES. "Depositei a minha confiança no país e fui roubado"

BES. "Depositei a minha confiança no país e fui roubado"

Emigrantes lesados do BES escolheram agência do Novo Banco junto a câmara municipal socialista para pressionar um Governo que prometeu há anos devolver-lhes 100% das economias perdidas.

"Perdi muito dinheiro. Quanto? O que é relevante é eu ter sido roubado. Não aceito isso. Eu quero aquilo que é meu. Eu emigrei com 18 anos. Este país não tinha nada a oferecer-me. Emigrei 'a salto'. Nem sequer tive direito a um passaporte. Fui lá para fora e ganhei o meu dinheiro. Depositei a minha confiança no país e eles roubaram dinheiro que até nem foi ganho cá", afirma Manuel Sousa, 66 anos, emigrado em França (ver foto).

Um pequeno grupo de emigrantes lesados do BES organizou, esta quinta-feira, uma manifestação junto à agência do Novo Banco (NB) em Matosinhos, mesmo em frente à câmara municipal liderada pelo PS. "Não estamos aqui por acaso. Este é um assunto muito político. Em campanha eleitoral de 2015, o Dr. Carlos César prometeu que se fosse Governo iria ressarcir na totalidade os lesados do BES. No dia 11 de junho de 2016, em Paris, o próprio primeiro-ministro prometeu-me, em pessoa, a mim e a quem estava comigo, que ia repor as poupanças dos emigrantes. Até hoje, nada foi feito. Escolhemos esta agência do NB de Matosinhos por estar junto a uma câmara municipal que é socialista", explica Manuel Sousa.

Para alguns clientes a solução encontrada para alguns clientes não os compensa totalmente pelas perdas, uma vez que quem fez aplicações até 500 mil euros recebe 75%, num máximo de 250 mil euros, e para aplicações acima de 500 mil euros recupera apenas 50%. "Mas há dois produtos que não entram em qualquer acordo de recuperação dos fundos perdidos: o Euro Aforro e o EG Premium", lembra Manuel Sousa.

No total, foram já pagos cerca de 120 milhões de euros pelo fundo de recuperação de créditos (gerido pela empresa Patris), o equivalente a 30% da indemnização a que os clientes têm direito. O dinheiro foi depositado nas contas dos lesados no NB. Este valor serve de indemnização aos dois mil clientes que compraram mais de 400 milhões de euros em papel comercial.

"Tinha as minhas economias em Portugal, precisamente no BES. Funcionou impecavelmente bem até 2014, ano da resolução que deu origem ao NB. As nossas economias foram transferidas para o NB, isto é, na realidade o dinheiro ficou congelado. O Banco de Portugal (BdP), já então liderado por Carlos Costa, exigiu ao BES uma provisão de 1837 milhões de euros. A constituição dessa reserva foi confirmada pela CMVM e pelo BdP. O NB confirmou e chegou a ter esse valor nos balanços de 2014 e 2015. Hoje, essa provisão evaporou-se. Nós sabemos onde ela está, mas ninguém quer falar nela", desabafa.