Economia

BPI rejeita "concorrência desleal" por cobrar transferência no MB Way

BPI rejeita "concorrência desleal" por cobrar transferência no MB Way

O presidente executivo do BPI, Pablo Forero, rejeitou, esta quinta-feira, esteja a fazer "concorrência desleal" ao cobrar transferências através do MB Way, enquanto mantém gratuitas estas operações na sua aplicação.

"Fazer uma concorrência desleal com a SIBS, que é uma companhia que é propriedade dos bancos, bom, acho que devíamos retirar o desleal", disse hoje Pablo Forero na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do BPI, em resposta a uma pergunta sobre se a cobrança de transferências por parte do BPI no MB Way não constitui uma situação de concorrência desleal face à SIBS, que desenvolveu a aplicação.

"O que é interessante aqui é perceber que a SIBS não está pensada para ser um concorrente dos bancos, está pensada para ajudar os clientes e os bancos, não para concorrência", reforçou.

O presidente executivo do banco detido pelo espanhol CaixaBank assumiu que o BPI teve "um problema de comunicação" sobre o assunto, e que "com o tempo as pessoas vão perceber que não é um assunto difícil", explicando que "as transferências MB Way de um cliente do BPI feitas através da aplicação do banco BPI são grátis".

"A aplicação do BPI já tem o MB Way" incorporado, e "isso continua a ser grátis", acrescentou.

Pablo Forero disse ainda que o BPI não espera ganhar "praticamente nada" com a cobrança de transferências na aplicação MB Way, uma vez que os clientes do banco vão poder fazê-las gratuitamente na aplicação do banco.

"Só por erro é que alguém as fará por MB Way", assinalou, explicando que a decisão do banco tem como objetivo "reforçar" a aplicação do BPI.

Mais tarde, o administrador do BPI José Pena do Amaral disse ainda que "os bancos contribuíram para o desenvolvimento da plataforma [MB Way] da SIBS", que "ao estimularem os pagamentos por MB Way nas suas aplicações estão a gerar tráfego na própria plataforma MB Way", e que "o custo da transferência bancária é assegurado pelos bancos", o que desmente a ideia de "concorrência desleal".

O lucro consolidado do BPI no primeiro trimestre foi de 49,2 milhões de euros, uma quebra de 60% relativamente ao período homólogo do ano passado, segundo os resultados hoje comunicados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O banco liderado por Pablo Forero explica que para este resultado contribuiu o lucro líquido da atividade registada em Portugal, que atingiu os 45,5 milhões de euros (92,5% do resultado consolidado).

Explica ainda que o resultado consolidado se deve, em grande medida, ao impacto positivo de dois factos não recorrentes ocorridos no primeiro trimestre do ano passado: venda da participação na Viacer e reversões de imparidades de 11 milhões de euros.