Economia

Câmara de Comércio Luso-Mexicana nota mais interesse do México por Portugal

Câmara de Comércio Luso-Mexicana nota mais interesse do México por Portugal

Os empresários mexicanos demonstram interesse em diversificar as relações económicas, incluindo com Portugal, depois das medidas restritivas anunciadas pelos Estados Unidos, disse à Lusa o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana.

"Os mexicanos estão a olhar para a Europa com outros olhos e muito interessados em diversificar as relações económicas que têm estado muito centradas nos Estados Unidos e em Espanha", disse à Lusa Miguel Gomes da Costa, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana (CCILM).

"Os mexicanos são uma economia muito desenvolvida. Em termos de exportação de produtos de tecnologia avançada, o México é superior a todos os países da América do Sul e estas empresas não vão ficar paradas se houver uma alteração da política comercial", acrescenta Gomes da Costa referindo-se às novas políticas anunciadas pela Administração norte-americana.

Os contornos da terceira missão empresarial portuguesa ao México e a visita de empresários mexicanos a Portugal, em outubro, vão ser apresentados hoje durante uma conferência, em Lisboa, e que conta com a presença do embaixador mexicano em Portugal.

No encontro, organizado pela CCILM, participam também responsáveis da ProMéxico (a agência de promoção da economia mexicana no estrangeiro) para a Portugal, e da AICEP, Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

A apresentação do terceiro projeto conjunto de internacionalização (das empresas portuguesas), sucede às missões que se deslocaram ao México desde 2014 e em que participaram no total 30 companhias, sobretudo pequenas e médias empresas.

Segundo os organizadores, a natureza da visita da nova missão empresarial portuguesa é uma "consequência direta do presidente americano, Donald Trump, querer alterar o NAFTA, o acordo comercial que une os Estados Unidos ao México e ao Canadá.

Miguel Gomes da Costa nota que existe cada vez mais interesse por parte dos empresários portugueses sublinhando que os acordos de pré-adesão ao novo projeto, que vai decorrer em 2017/2018, conta já com vinte novas empresas portuguesas o que significa que o número das companhias dos dois projetos anteriores pode vir a ser ultrapassado.

O presidente da CCILM indica que os empresários portugueses, "há três ou quatro anos", deixaram de olhar para o México como um destino muito distante e onde os Estados Unidos e a Espanha tinham um peso muito grande para começarem a "vislumbrar a potencialidade" que existe num mercado de grandes dimensões.

"Há um potencial muito grande nos setores das empresas de tecnologias de informação, comunicação e eletrónica sendo que se tratam de áreas em que as empresas médias portuguesas têm tido mais êxito na entrada de novos produtos no México", explica Gomes da Costa.

As Infraestruturas, a indústria transformadora e a agroindústria são igualmente setores de interesse mas Miguel Gomes da Costa considera que área do turismo está ainda pouco incrementada.

"O fluxo turístico português para o México é muito maior do que o fluxo dos mexicanos para Portugal e há aqui muita coisa a fazer", frisa.