Economia

CDS-PP questiona "fuga" de depósitos da SLN mesmo com dívida "colossal" ao banco

CDS-PP questiona "fuga" de depósitos da SLN mesmo com dívida "colossal" ao banco

O deputado do CDS-PP, João Almeida, divulgou, esta terça-feira, email trocado entre ex-administradores do BPN sobre a fuga de depósitos do antigo acionista, a SLN ou atual Galilei, apesar de esta ter uma dívida "colossal" ao banco.

O email, datado de 15 de novembro do ano passado ou seja após já estar definida a venda do BPN ao angolano BIC, liderado por Mira Amaral, refere as negociações entre a Galilei, antiga proprietária do BPN, e os administradores do banco para chegarem a um acordo de forma a pagar a dívida classificada pelo administrador que enviou o email como "colossal".

O documento - que suscitou discussão acesa na comissão de inquérito à nacionalização do BPN por este violar ou não dados protegidos - serviu para o deputado João Almeida perguntar ao ex-administrador do BPN Norberto Rosa, um dos destinatários do email ouvido no parlamento esta terça-feira, se a administração estaria ou não a acautelar os interesses do banco e do Estado em matéria de recuperação de créditos.

O deputado do CDS-PP citou uma situação no email em que o administrador remetente pede a outro para fazer retornar, rapidamente, os fundos ao BPN, depois de ter sido desagradavelmente surpreendido pela notícia de que a Aldine? ordenou uma transferência do seu saldo credor de 609.522,61 euros para a conta da Marazion,e esta ordenou a sua transferência para um banco estrangeiro!

O ex-administrador do BPN faz notar ao seu colega que as sociedades offshore que têm como beneficiário final a Galilei "têm, como bem sabes, no seu conjunto, uma dívida colossal, mas há algumas que têm, ainda nas suas contas no banco saldo credor".

Perante as perguntas de João Almeida, Norberto Rosa disse não se lembrar do email e acrescentou que houve depósitos congelados a empresas do universo da Galilei mas admitiu que a maior parte dessas empresas só tinha dívidas.

"Admito que possa haver algumas situações, mas nem sempre se pode fazer a compensação [de saldar parte das dívidas com congelamento de depósitos] por poder ser ilegal", afirmou Norberto Rosa.

A deputada do PS Ana Catarina Mendes insurgiu-se contra a divulgação do email afirmando ser particularmente grave a utilização de correspondência privada entre várias pessoas, questionando a validade e a veracidade do documento do deputado do CDS.

O presidente da comissão de inquérito, Vitalino Canas, acabou por fechar a discussão adiantando que o email revelado por João Almeida só pode ser admitido se obtido de forma lícita já que se trata de comunicações privadas entre pessoas, que só teria validade se tivessem sido transmitidas por elas próprias.

Os antigos responsáveis da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Norberto Rosa e Francisco Bandeira são hoje ouvidos na comissão parlamentar de inquérito à nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN).

Norberto Rosa, que foi administrador financeiro da CGD e que acumulou funções na gestão do BPN, está a ser ouvido neste momento.

Já a audição do presidente do conselho de administração do BPN, após a nacionalização do banco, e antigo vice-presidente da CGD, Francisco Bandeira, está marcada para a tarde, pelas 16:00.

A atual comissão de inquérito ao BPN foi decidida em meados de março, por consenso entre as iniciativas do PS, com a concordância do PCP, do Bloco de Esquerda, dos Verdes (PEV), e da maioria PSD/CDS-PP, num processo que obrigou à intervenção da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves. Esta é já a segunda comissão parlamentar dedicada ao caso BPN, depois da realizada em 2009.