China Three Gorges

Chineses oferecem 3,26 euros por cada ação da EDP

Chineses oferecem 3,26 euros por cada ação da EDP

A China Three Gorges lançou, esta sexta-feira, uma Oferta Pública de Aquisição voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por cada ação, o que representa um prémio de 4,82% face ao valor de mercado.

Os títulos da EDP encerraram o dia de negociações de hoje a ganhar 0,75%, nos 3,11 euros, antes de a negociação ser suspensa pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que aguardava informações relevantes da OPA, noticiada pelo Expresso esta tarde.

Segundo o anúncio preliminar de lançamento da OPA, divulgado hoje na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a China Three Gorges oferece uma contrapartida de 3,26 euros por ação, avaliando, assim, a EDP em cerca de 11,9 mil milhões de euros.

A oferta é geral e voluntária e a China Three Gorges pretende adquirir a totalidade das ações representativas do capital social da EDP.

A contrapartida oferecida pela China Three Gorges corresponde a um prémio de cerca de 10,8% em relação ao preço médio ponderado das ações no mercado lisboeta nos últimos seis meses (cerca de 2,94 euros por ação) e a um prémio de cerca de 17,9% em relação ao preço médio ponderado ajustado das ações nos últimos seis meses (cerca de 2,77 euros, calculado mediante dedução do valor bruto dos dividendos por ação, ou seja, 0,19 euros).

A aceitação da oferta "está sujeita ao cumprimento dos respetivos requisitos legais e regulamentares aplicáveis, incluindo os constantes de lei estrangeira quando os destinatários da oferta a ela estejam sujeitos", recorda a China Three Gorges.

É intenção da empresa, que já detém 23,27% da EDP, "continuar a contribuir para o desenvolvimento sustentável de longo prazo e para o crescimento da EDP, tal como tem vindo a fazer desde o seu investimento inicial em 2012".

Caso seja considerado do interesse da EDP e dos seus 'stakeholders' (parceiros) relevantes, o grupo China Three Gorges poderá vir a considerar a "aportação de ativos relevantes", que consistiriam na "racionalização de portefólios de negócio combinados, no fortalecimento do perfil de crédito" da energética, "através da redução do seu rácio de alavancagem, e na criação de valor adicional, através da poupança de custos".

A OPA está sujeita à obtenção do registo prévio junto da CMVM, à alteração dos estatutos da EDP, ainda que condicionada ao sucesso da oferta, "de forma a remover qualquer limite à contagem de votos emitidos por um só acionista, isentar a oferente (...) de serem consideradas concorrentes da sociedade visada" e ao "deferimento de todas as aprovações e autorizações administrativas necessárias".

Em causa estão sobretudo autorizações da Autoridade da Concorrência portuguesa e da Comissão Europeia sobre questões concorrenciais e de concentrações empresariais, mas também decisões de 'não oposição' como entidades dos Estados Unidos, da Polónia, da Finlândia, de França, Roménia, entre outros países.

A República Popular da China detém 28,25% do capital da EDP, através dos 23,27% detidos pela China Three Gorges e dos CNIC da 4,98%.

A Capital Research and Management Company, consultora de investimentos sediada nos Estados Unidos, tem 12%, a espanhola Oppidum Capital detém 7,19% e a sociedade gestora de investimentos americana BlackRock tem 5% da elétrica.

A Senfora SARL, detida pelo Governo de Abu Dhabi, detém 4,06%, a sociedade gestora do Fundo de Pensões do Grupo Millennium BCP e a Fundação Millennium BCP têm 2,44% e Sonatrach, extratora de petróleo da Argélia, detém 2,38%.

A Qatar Holding LLC tem 2,27%, o Norges Bank 2,75% e a própria EDP tem 0,6% do seu capital (através de ações próprias).

Um terço do capital da EDP (33,06%), cotada em bolsa, está nas mãos dos restantes acionistas.

António Costa diz que "não tem nenhuma reserva a opor" à operação

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou que não tem "nenhuma reserva a opor" a que o grupo chinês China Three Gorges realize uma oferta pública de aquisição sobre a EDP.

"O mercado decidirá. A China Three Gorges é há muitos anos acionista de referência da EDP e não temos nenhuma reserva a opor. As coisas têm corrido bem", disse António Costa, que falava aos jornalistas aquando da votação nas eleições diretas para o cargo de secretário-geral do PS, na Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL).

O primeiro-ministro defendeu que os "investidores chineses têm sido bons investidores em Portugal", destacando os casos da EDP, REN e outros setores de investimento.

"O que é importante todos sabermos e o que devemos estar interessados é o que é que os acionistas que propõem lançar uma OPA propõem fazer com a empresa, qual o futuro que veem para a empresa e que ambição para o desenvolvimento da empresa. Espero que seja uma boa ambição para a nossa economia", afirmou.

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