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Comprar férias sem ser enganado

Comprar férias sem ser enganado

Preços muito baixos podem ser bom negócio ou burla, cabendo ao consumidor saber defender-se.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica instaurou, no ano passado, 350 processos de contraordenação e um processo-crime por fraude relacionados com turismo. No mesmo período, a Deco recebeu quase 3300 queixas (+13% do que em 2016) e o Portal da Queixa registou mais 36% de reclamações sobre o tema. É nesta altura, quando cada vez mais portugueses procuram adquirir férias online por conta própria, que devem redobrar-se cautelas.

"Há um aumento das reservas online e, no que respeita às agências de viagens online, as pessoas nem sempre sabem distinguir. Vão atrás do preço e nem sempre corre bem", analisa fonte da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo. "Mesmo que queira comprar um bilhete de avião low-cost, muitas vezes é preferível adquirirem-no através de uma agência de viagens, pagar a comissão de reserva, mas ficar defendido", explicou, ainda. Procurar comprar apenas em agências que tenham morada física é também um conselho da jurista da Deco. "Nalguns destinos, também convém ter o apoio de uma agência de viagens, que terá representante no local ou dará apoio se algo não estiver como foi contratado", acrescenta Carolina Gouveia.

Particular a particular

As casas de férias são frequentemente negociadas entre particulares, um negócio cheio de riscos que, todos os anos, apanha desprevenidos. Nesta altura do ano, o OLX já tem mais de 2200 anúncios para casas de férias, que "voam" em apenas 18 dias, em média. Mais de metade ficam no distrito de Faro. "É também a zona onde temos mais casos reportados", revela Giancarlo Bonsel, country Manager do Grupo OLX em Portugal. Apesar de servir apenas de "montra", porque os negócios são fechados fora do site, o OLX tem investido na revisão manual dos anúncios e no desenvolvimento de um algoritmo de inteligência artificial que ajuda a despistar anúncios que não cumprem as regras ou levantam suspeitas.

Pedro Lourenço, CEO e fundador do Portal da Queixa, recomenda às pessoas que "pesquisem antes de efetuar qualquer pagamento" e desconfiem "do preço muito baixo e da necessidade de reservar sob pressão". O melhor será, se possível, "efetuar a reserva apenas em locais que já conheça ou que tenha boas referências de amigos ou familiares".

Apresente sempre queixa

Quando há problemas, diz Pedro Lourenço, "a identificação dos prevaricadores é muito difícil, pois são utilizados dados de contacto falsos, como nome e email e o telefone é usado apenas para este fim", pelo que a formalização de uma queixa formal junto das autoridades é fundamental para identificar o burlão.

Nestes casos, fazer queixa nas autoridades é fundamental e não tem custos para os queixosos, uma vez que se trata de crime. Além de poder travar a atividade junto de outras vítimas, pode permitir recuperar montantes pagos por cartão de crédito (acionando o seguro) ou transferência bancária ou referência multibanco (depende das contas e dos bancos, mas é possível nas primeiras horas).

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